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EXAME Agro Exame (Negócios e Economia) há 95 d • 28/07/2026 06:01

China aposta na planta que cresce mais rápido no mundo para conter desertos

China aposta na planta que cresce mais rápido no mundo para conter desertos

Bambu: material de construção milenar na Ásia pode se provar chave para o combate ao aquecimento global (Li Hongbo/VCG /Getty Images)

Publicado em 28 de julho de 2026 às 06h01.

A China está apostando em uma nova arma para conter o avanço da desertificação: o bambu. Após décadas utilizando palha, vegetação e barreiras plásticas para estabilizar dunas e impedir a expansão dos desertos devido às mudanças climáticas, pesquisadores chineses passaram a defender o uso da planta, considerada uma das matérias-primas mais resistentes e sustentáveis do mundo.

A proposta ganhou força após a divulgação, em 22 de julho, de um novo plano quinquenal para a conservação de florestas e pastagens. O documento orienta a política chinesa em uma série de setores e, nesse âmbito, prevê ações integradas ao Programa Três Nortes, conhecido internacionalmente como a Grande Muralha Verde da China, que deverá continuar em expansão até 2030.

Lançado na década de 1970, o projeto foi criado para frear a desertificação nas regiões áridas do noroeste, do norte e do nordeste do país. O fenômeno, agravado pelo desmatamento, pelo sobrepastoreio e pelas mudanças climáticas, transforma áreas férteis em terrenos áridos semelhantes a desertos.

Área de reflorestamento: há décadas, a China aposta na plantação de novas florestas para mitigar os efeitos do aquecimento global (Divulgação/Panasonic)

Ao longo das últimas décadas, a China construiu uma vasta rede de proteção ambiental, formada por florestas, arbustos e outras espécies vegetais, distribuída ao longo de milhares de quilômetros. Além disso, foram instaladas barreiras físicas para conter o deslocamento da areia, incluindo estruturas em formato de grade de palha.

Em entrevista ao jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), Yu Yanglun, pesquisador do Instituto de Pesquisa da Indústria da Madeira da Academia Chinesa de Silvicultura,conta que essas grades de palha apresentam limitações significativas. Embora sejam amplamente utilizadas nas regiões desérticas do norte do país, sua eficácia normalmente dura apenas entre dois e três anos devido à degradação natural do material.

As barreiras plásticas surgiram como alternativa em algumas áreas, mas também apresentam desvantagens. De acordo com apuração do SCMP, o longo tempo de decomposição do plástico pode representar riscos ecológicos e aumentar a pressão ambiental em regiões já fragilizadas.

Outras soluções adotadas incluíram o plantio de árvores e arbustos resistentes ao clima seco, como espécies do gênero Artemisia. No entanto, estudos apontam que a expansão dessas plantas está associada ao aumento dos casos de alergia ao pólen em determinadas regiões.

Diante desses desafios, cientistas passaram a buscar materiais que combinem resistência, baixo impacto ambiental e baixo custo. Nesse contexto, o bambu surgiu como uma das opções mais promissoras para reforçar os esforços chineses de combate à desertificação.

A planta é considerada ideal para esse tipo de projeto: além de ser o vegetal de crescimento mais rápido do planeta — crescendo de 90 a 121 cm por dia —, o bambu é leve, flexível, resistente e requer poucos recursos para se desenvolver. Por isso, há séculos é utilizado na construção civil e na fabricação de diversos produtos em países asiáticos.

A China também possui uma vantagem importante: abriga as maiores florestas de bambu do mundo. O novo plano nacional prevê a expansão de plantações de alta produtividade e o desenvolvimento de tecnologias capazes de substituir materiais plásticos por alternativas biodegradáveis derivadas da planta.

Pesquisadores já trabalham em diferentes aplicações do bambu no controle da desertificação. Entre elas estão a fabricação de barreiras para a estabilização de dunas móveis e a criação de recipientes de fibras de bambu e de madeira, destinados à captação de água da chuva em áreas áridas, aponta o SCMP.

Segundo um relatório divulgado pela Administração Nacional de Florestas e Pastagens da China no ano passado, equipes de pesquisa conseguiram desenvolver técnicas para processar e trançar o bambu na produção de grades de contenção e barreiras elevadas contra a movimentação da areia.

Os resultados iniciais são considerados promissores: de acordo com o documento, as estruturas de bambu são renováveis, biodegradáveis e apresentam maior resistência ao desgaste decorrente da exposição prolongada ao sol. Além disso, podem durar entre três e dez anos, o que reduz os custos operacionais em mais de 20%, estimam os pesquisadores.

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