O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) avalia que pode precisar acionar toda a geração termelétrica a partir de setembro, dependendo da combinação entre demanda e condições hidrológicas durante o período associado ao Super El Niño.
O que aconteceu
ONS discutiu o assunto no CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico). Na conversa, foram debatidos os possíveis impactos do Super El Niño no Brasil. O órgão projeta, para setembro, chuva acima da média nas bacias do Sul, próxima da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste, e menor volume nas regiões Norte e Nordeste.
Cenário pode levar ao uso da totalidade das usinas térmicas. O ONS considera que o acionamento a partir deste mês será necessário se houver aumento da demanda, combinado a condições hidroenergéticas piores.
Regulador diz que vai acompanhar mês a mês a transição entre os períodos seco e úmido. "O Operador acompanha com atenção as condições do sistema nos próximos meses, que marcam a transição entre os períodos seco e úmido, considerando as particularidades das regiões para adotar as medidas operativas mais adequadas a cada cenário. Também estaremos atentos à evolução do fenômeno El Niño, trazendo mês a mês as recomendações ao CMSE", afirmou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
O Boletim do Programa Mensal de Operação indica Energia Natural Afluente acima da média. A situação é prevista em dois subsistemas no fim de setembro. A projeção é de 253% da MLT (Média de Longo Termo) no Sul e de 114% da MLT no Sudeste/Centro-Oeste; no Nordeste, 69% da MLT, e no Norte, 49% da MLT.
Armazenamento dos reservatórios tem previsão de energia armazenada maior no Sul e menor no Sudeste/Centro-Oeste. As perspectivas indicam 94,3% no Sul; 74,1% no Norte; 66,4% no Nordeste; e 55,7% no Sudeste/Centro-Oeste.
Projeções até fevereiro de 2027
ONS estima que as afluências no SIN (Sistema Interligado Nacional) variem de 111% a 80% da média histórica, entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. O intervalo reflete, respectivamente, as previsões mais favoráveis e menos otimistas apresentadas pelo órgão.
Condições ficaram menos favoráveis no Sudeste/Centro-Oeste em relação ao estudo anterior. Ainda assim, a região e o Nordeste têm perspectiva de início do período úmido dentro da normalidade; no Norte, as vazões aparecem mais moderadas, e no Sul as condições seguem favoráveis por causa da precipitação.
Energia armazenada no Sudeste/Centro-Oeste pode terminar fevereiro de 2027 bem acima ou abaixo do nível de um ano antes. No cenário otimista, o ONS projeta 13,2 pontos percentuais acima de fevereiro de 2026; na hipótese menos favorável, 13,7 pontos percentuais abaixo.
Para o conjunto do sistema, projeções também oscilam entre alta e queda na comparação anual. O ONS estima que, ao fim de fevereiro de 2027, a Energia Armazenada fique 15,3 pontos percentuais acima do mesmo período de 2026 no cenário otimista e 10,6 pontos percentuais inferior no cenário menos favorável.
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