"Boa pergunta". Foi assim que Pierre Gasly respondeu quando foi indagado por quanto tempo esperava conseguir manter a primeira colocação do GP da Itália depois de conseguir uma surpreendente pole position neste sábado (5), na pista de Monza.
Ele tinha mais clareza para explicar como conseguiu sua primeira pole position na Fórmula 1, depois de 190 classificações, justamente na pista em que venceu pela única vez na carreira, em outro resultado surpreendente, em 2020.
"Não foi por um parâmetro apenas. Acho que foi uma execução perfeita. E o equilíbrio do carro provavelmente foi o melhor que eu tive neste ano", disse o francês, primeiro piloto de seu país a largar na frente na F1 desde que Jean Alesi fez a pole position, também em Monza, em 1997.
A explicação para esta pole position, contudo, começa com a grande atualização que a Alpine estreou na última corrida, na Holanda. Na ocasião, ambos os pilotos disseram sentir uma diferença, mas sabiam que precisavam de mais tempo para tirar mais rendimento do novo pacote. Mas Gasly destacou como as mudanças foram justamente na direção certa para seu estilo de pilotagem.
Chegando em Monza, o companheiro de Gasly, Franco Colapinto disse que se surpreendeu assim que pegou o carro pela primeira vez - o francês não fez a primeira sessão de treinos livres, cedendo o cockpit para o novato Paul Aron, algo que é previsto pelo regulamento - porque se sentiu confortável logo de cara.
Gasly teve o mesmo sentimento na segunda sessão, mas ainda assim pediu alterações para a equipe, que lhe deram ainda mais confiança, e terminou o terceiro treino livre em nono lugar a mais de seis décimos dos melhores tempos.
Outro fato é o motor Mercedes, o mais eficiente da Fórmula 1, algo muito importante em uma pista em que faltam oportunidades para recarregar as baterias, como Monza.
Havia, contudo, algo que Gasly não tinha tido durante os treinos livres: o vácuo, particularmente valioso na pista de Monza neste ano.
Para isso, a equipe tinha que trabalhar muito bem para colocá-lo no lugar justo na pista. Para realmente se aproveitar do vácuo, o piloto precisa conseguir preparar bem seus pneus, não pode ficar muito perto do carro que vai à frente, nem muito longe. E a execução da Alpine para a última tentativa foi perfeita.
Gasly, é claro, também fez a parte dele. O francês passou a maior parte de sua carreira em equipes do meio do pelotão, depois de ter tido a chance de correr ao lado de Max Verstappen na Red Bull e ter sofrido - como os que vieram antes e os que chegaram depois dele - para andar no ritmo do holandês.
No entanto, ao longo dos anos, ele foi se firmando como um dos pilotos mais rápidos em uma lançada no grid. E, neste ano, tem seu lugar guardado pelo menos entre os cinco melhores aos sábados, colocando a Alpine no top 10 em seis oportunidades até aqui.
Mas quanto tempo ele vai durar na ponta? Está claro que o francês não pensa em vitória. "Meu plano é ficar em primeiro o máximo de tempo possível. Não sei quanto tempo isso vai ser, só vou focar na minha pilotagem e em não cometer erros."
Por um lado, ele terá ao seu lado na primeira fila George Russell, da Mercedes, vice-líder do campeonato, que vai fazer de tudo para aproveitar a chance de ouro de tirar pontos em relação a Kimi Antonelli, que larga em 20º por conta de uma punição pela troca do motor.
Por outro, a Alpine mostrou várias vezes nesta temporada que é um dos melhores carros em largadas. Então dá para apostar que a alegria de Gasly vai demorar mais do que alguns metros e pode ajudar a embolar o início do GP.
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