Os índices acionários das Bolsas americanas registram variações negativas hoje após divulgação do Payroll, relatório do mercado de trabalho que mostrou abertura de vagas na economia do país acima do esperado e reforçou apostas em aumento dos juros pelo Fed (Federal Reserve), Banco Central dos Estados Unidos. Na Europa e na Ásia, agentes de mercado reagem ainda aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, com petróleo em leve queda.
O que acontece
Nos Estados Unidos, índices acionários de Wall Street registram perdas. Por volta das 14h (horário de Brasília), o S&P 500 recuava 0,36%, a 7.719 pontos, o Dow Jones perdia 0,53%, para 53.404 pontos, enquanto o Nasdaq futuro cedia 0,32%, marcando 26.499 pontos.
Mercado reage aos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Relatório mostrou criação líquida de 162 mil vagas nos Estados Unidos, enquanto a mediana das estimativas apontava para apenas 55 mil. Os números dos meses anteriores também foram revisados para cima. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, mas houve uma recuperação importante da taxa de participação da força de trabalho, acompanhada principalmente por uma expansão do emprego. A renda do trabalho também apresentou crescimento de 0,3% no mês.
Resultado eleva a atenção sobre os próximos dados de inflação. Para economistas e agentes do mercado financeiro, os dados também fortalecem as apostas em uma postura mais rígida do Federal Reserve na decisão de juros deste mês. No último encontro, o Banco Central americano manteve a taxa de juros de referência na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas os diretores do órgão têm alertado que as pressões inflacionárias e a resiliência da atividade econômica podem levar a um aumento dos juros neste ano.
Ao mostrar um mercado de trabalho ainda vigoroso, reduzir a percepção de riscos de uma desaceleração da atividade e, ao mesmo tempo, apontar para possíveis pressões inflacionárias decorrentes de uma demanda mais aquecida, o relatório de emprego aumenta as apostas em uma postura mais restritiva do Fed, o Banco Central do país, na decisão de setembro. Esse movimento favorece os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, aumenta a atratividade dos ativos denominados em dólar e contribui para o fortalecimento da moeda americana globalmente, pressionando o real. Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX
Europa e Ásia
Bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda nesta sexta-feira, pressionadas pelo payroll dos Estados Unidos. Em Londres, o FTSE 100 fechou estável, a 10.831,09 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,17%, a 26.048,38 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 0,09%, a 8.278,77 pontos. Em Milão, o FTSE MIB cedeu 0,28%, a 52.100,43 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,25%, a 20.050,60 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 recuou 0,14%, a 9.388,77 pontos. As cotações são preliminares..
Em Frankfurt, Volkswagen saltou quase 6%, ajudando o DAX. O conselho de supervisão da empresa aprovou plano para dobrar os cortes de empregos, a 100 mil, e reduzir pela metade o portfólio de modelos. Analistas do Deutsche Bank classificaram a decisão como uma "grande surpresa" e avanço importante na reestruturação, embora tenham alertado que a execução segue crucial.
Em Londres, Experian caiu perto de 4,5%. Anglo American (-0,12%) e Rio Tinto (+0,45%), que aprofundaram queda logo após a divulgação do payroll, que pressionou a cotação de metais, conseguiram se recuperar, ao menos parcialmente, no restante das negociações.
Em Milão, bancos operaram no vermelho durante a maior parte do pregão. Entre os destaque, o Banco BPM caiu 1,3% e Banca Mediolanum perdeu 0,63%, fechando em baixa. Intesa Sanpaolo (-0,04%) e Mediobanca (+0,2%) ensaiaram recuperação no fim da sessão. Em Paris, Dassault Systèmes (-0,4%) e TotalEnergies (-2,4%) recuaram, enquanto Legrand avançou cerca de 3,3%.
Na Ásia, as Bolsas encerraram o pregão sem direção única. Tóquio liderou os ganhos, com alta de 1,3%, enquanto Hong Kong e Seul também avançaram. O desempenho, antes da divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos, ainda refletia a redução das apostas em uma alta dos juros pelo Fed após as falas do diretor do órgão, ontem, que reduziram appstas em alta dos juros.
No mercado de petróleo, o Brent recuava 0,5% nesta manhã, cotado a US$ 95,05 por barril. Na quinta-feira, a commodity fechou em alta, sustentada pelas preocupações com a oferta em meio às tensões entre Irã e Estados Unidos.
Dúvidas sobre fornecimento de petróleo impactam negócios. Sobre o Estreito de Hormuz, o Irã afirma que a reabertura da rota depende do aval de Teerã, enquanto os Estados Unidos dizem que o fluxo de petróleo já voltou a níveis próximos aos observados antes da guerra.
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