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UOL Economia há 62 d • Seg, 31 Ago 2026 09:06:28 -0300

Na reta final do mês, dólar cai a R$ 5,18, enquanto Bolsa e petróleo sobem

Na reta final do mês, dólar cai a R$ 5,18, enquanto Bolsa e petróleo sobem

O dólar é negociado nesta última sessão de agosto em leve baixa, cotado a R$ 5,18, influenciado pela alta do petróleo no exterior, com escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. Moeda americana ainda caminha para fechar mês com variação positiva ante real. Na Bolsa, Ibovespa caminha para nono pregão seguido de ganhos, para zerar perda no acumulado mensal.

O que aconteceu

Dólar tem última sessão do mês em leve baixa. No comercial para a venda, a moeda americana era cotada às 14h a R$ 5,183, variação de menos 0,25% ante fechamento da sexta-feira.

Moeda americana caminha para fechar mês em alta. Após abrir agosto cotado a R$ 5,07, o dólar emendou sequência de valorização ante o real, chegando a bater a máxima de R$ 5,22 dia 18, pressionado por fluxo negativo de recursos estrangeiros para o Brasil.

Moeda americana subiu ante o real em três meses, mas teve quatro quedas mensais. O dólar caiu ante a moeda brasileira em janeiro (-5%), fevereiro (-1,5%), abril (-4,4%) e julho (-1,9%); subindo em março (+1,4%), maio (+1,4%) e junho (+2,4%).

Fluxo de recursos externos está negativo no mês. Segundo dados do Banco Central, o saldo entre saídas e entradas está negativo em US$ 2,6 bilhões até a última sexta-feira (21). O comportamento mantém viés de julho, quando déficit em transações correntes do balanço de pagamentos somou US$ 8,1 bilhões em julho de 2026, ante US$ 6,9 bilhões em julho de 2025.

O cenário externo tende a continuar pressionando o real, principalmente caso os dados americanos reforcem a possibilidade de alta dos juros em setembro. No mercado doméstico, o fluxo estrangeiro começa a apresentar sinais de melhora, mas as saídas acumuladas em agosto ainda permanecem elevadas, próximas de R$ 18,7 bilhões. Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora

No exterior, petróleo sobe e alimenta aversão a risco. O viés é influenciado pela escalada da tensão no Oriente Médio, após novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o que amplia incertezas sobre a reabertura do Estreito de Hormuz. Mercado reage ainda ao acordo entre a Casa Branca e a Venezuela que amplia a participação americana na exploração das reservas venezuelanas. O contrato futuro com vencimento em dezembro para o barril do tipo Brent, referência internacional da commodity mais negociada, subia 5,2% às 14h, a US$ 90,62.

O mercado trabalha com um prêmio de risco mais elevado não apenas pelas incertezas sobre a retomada dos fluxos físicos de petróleo e derivados pelos estreitos de Hormuz, mas também pela retomada das ofensivas diretas entre Washington e Teerã. Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX

Ibovespa busca nono pregão de alta em sequência positiva. Subindo desde a abertura, o principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 avançava 1% às 14h, a 177.412 pontos. Na sexta-feira, o indicador chegou a oito pregões de alta. Se fechar acima de 178 mil pontos, encerra agosto com variação mensal positiva.

No mês, porém, desempenho do Ibovespa ainda é negativo. Por causa das baixas em onze pregões seguidos antes da sequência positiva, o índice das ações mais negociadas chegou à última sessão de agosto com variação de menos 1,3%. No ano, índice ainda acumula ganho de 9%, entretanto, graças ao forte desempenho no primeiro quadrimestre.

Fluxo de recursos externos nos últimos pregões tem ajudado Bolsa. Nas últimas cinco sessões, o saldo líquido das aplicações dos estrangeiros tem sido positivo, somando R$ 4,7 bilhões no período. Antes, esse grupo, que responde por 60% do giro de negócios na Bolsa brasileira, tinha emendado 13 pregões consecutivos de retiradas líquidas, quando os saques superaram os R$ 23 bilhões.

Vamos depender da atuação dos investidores estrangeiros que comanda o mercado aqui. Nos últimos dias tivemos entrada líquida, que se mantiver, pode ajudar o Ibovespa nessa última sessão do mês. Petróleo em alta tende a sustentar as ações da Petrobras, que tem peso no Ibovespa. Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil

Ibovespa teve variações positivas em três meses no ano, mas recuou em quatro. Os ganhos ocorreram em janeiro (+12,6%), fevereiro (+4,1%) e julho (+3,5%); as quedas foram registradas em março (-0,7%), abril (-0,1%), maio (-7,2%) e junho (-1%).

Ações da Petrobras oscilam ao redor das máximas em três meses. Os papéis PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) — que representam cerca de 12% do Ibovespa — subiam 3,7% às 11h, a R$ 43,55, e 3,9%, a R$ 50,15, respectivamente, acompanhando a alta do preço do barril no exterior.

Vale também tem ajudado desempenho do Ibovespa em agosto. As ações da mineradora — com peso relevante de 11% no Ibovespa — tiveram oito sessões de alta nos últimos dez pregões. No mês, os papéis da empresa acumulam ganho de 3%. Hoje, as ações subiam 0,24% às 11h, a R$ 78,77.

Natura anuncia mudanças no comando após renúncia de CEO. Com a renúncia do presidente-executivo, João Paulo Ferreira, com efeito após 30 de setembro, o cargo será ocupado por Alessandro Carlucci, que deixou a presidência do conselho de administração da companhia, e assumirá como CEO em 1º de outubro. Ações da empresa subiam 7,4% às 11h, a R$ 9,39.

Casas Bahia sobem 35% na Bolsa. A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo acolheu pedido da Casas Bahia e determinou na sexta-feira a antecipação do chamado "stay period" no processo de recuperação judicial da varejista. Assim, ficam suspensas por 180 dias, a contar de 19 de agosto e até 15 de fevereiro de 2027, "todas as ações e execuções contra as recuperandas (empresas do grupo)" e estão vedados "novos atos constritivos". As ações da companhia, cotadas abaixo de R$ 1,00, eram cotadas a R$ 0,53 às 11h.

Agrogalaxy adia divulgação do balanço. A companhia em recuperação judicial desde setembro de 2024 disse que adiou a divulgação de suas demonstrações financeiras referentes ao quarto trimestre de 2025 e ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2025, para 30 de novembro de 2026 "em virtude das reestruturações internas". Ações da empresa recuavam 1,4% às 11h, a R$ 1,39.

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