O Corinthians enfrenta o Cruzeiro neste sábado (31), às 21h (horário de Brasília), na final da Libertadores Feminina 2026. Duas protagonistas da campanha corintiana, Vic Albuquerque e Belén Aquino compartilham a responsabilidade de liderar o ataque do Corinthians na busca pelo primeiro título da temporada. Nesta sexta-feira (30), durante entrevista coletiva realizada no hotel do clube, em Quito, no Equador, as jogadoras analisaram o confronto com o Cruzeiro, falaram sobre as dificuldades enfrentadas pelo elenco ao longo do ano e criticaram as condições oferecidas pela Conmebol na principal competição de clubes da América do Sul.
Enquanto Vic tenta ampliar sua coleção de títulos continentais, que já conta com cinco conquistas, Belén disputará sua primeira decisão de Libertadores, justamente em uma temporada na qual as duas passaram a atuar juntas e se consolidaram como uma das principais alternativas ofensivas da equipe comandada por Emily Lima.
"Para nós é muito importante, justamente pelo fato de a gente não ter sido campeã. Acho que o torcedor merece isso, nossa família merece esse título também. Nós, trabalhando diariamente, merecemos esse título", afirmou Vic.
"A pressão, para mim, não é pressão. Eu aproveito, assumo o que tenho que assumir dentro e fora de campo. Acredito que isso também faz a gente crescer como jogadora, viver as emoções e conseguir tirar o melhor de cada momento", definiu Belén.
Entrosamento no ataque e estratégia contra o Cruzeiro
Responsáveis por seis dos 21 gols marcados pelo Corinthians até a semifinal, Vic e Belén encontraram na Libertadores uma configuração ofensiva que valoriza a capacidade de associação das duas jogadoras. A brasileira, que desempenhou diferentes funções ao longo da temporada, destacou que a parceria surgiu de maneira natural, principalmente pela semelhança na leitura dos espaços e na preferência por passes rápidos.
"A gente até brinca que finalmente está jogando junto. Conheço a Belén há muito tempo, desde quando ela jogava no Inter, então o futebol dela sempre me agradou bastante, pelo fato de ela ser inteligente e combinar muito com meu estilo de jogo", explicou Vic.
Sobre o Cruzeiro, a atacante apontou que o Corinthians pretende explorar os espaços deixados pela movimentação das defensoras mineiras, especialmente quando avançam para pressionar o meio-campo. Belén reforçou que a equipe precisará recuperar a sintonia ofensiva, considerada insuficiente no último compromisso, contra o Santa Fe, e ressaltou que o conhecimento acumulado nos confrontos anteriores não torna a decisão mais simples.
Dificuldades financeiras e compromisso com o clube
Questionadas sobre os problemas financeiros enfrentados pelo Corinthians durante a temporada, as atacantes reconheceram que as questões administrativas afetam diretamente o elenco, embora tenham procurado preservar a rotina de trabalho e a competitividade da equipe.
"É uma preocupação grande, porque a maioria de nós sustenta a família praticamente inteira, e eu sou um caso desses. Mas a gente tem muito amor pelo nosso clube, muito amor pelo que faz, pelo nosso trabalho, pelo futebol", declarou Vic.
A brasileira ressaltou que o grupo não deixou de treinar ou disputar partidas em razão das dificuldades, mas reconheceu que a situação tem influência direta sobre as atletas. Belén, por sua vez, defendeu que os responsáveis pelas questões administrativas sejam cobrados, enquanto as jogadoras permanecem concentradas em suas funções esportivas.
"A gente cobra as pessoas que deve cobrar. Nosso foco é fazer a nossa parte, treinar, estar preparadas para os jogos e conseguir render. Acredito que é importante que as pessoas responsáveis sejam cobradas para que tudo dê certo e as coisas voltem à normalidade", completou a uruguaia.
Críticas à Conmebol e ao formato da Libertadores
Um dos principais pontos da coletiva foi a avaliação das condições de disputa da Libertadores Feminina, realizada em um período reduzido e com pouco intervalo entre as partidas. Vic Albuquerque afirmou que o desgaste acumulado torna praticamente impossível chegar à decisão em condições físicas ideais e voltou a defender mudanças no calendário.
"Eu tenho quase certeza de que nenhuma de nós estará 100% fisicamente, porque são pouquíssimos dias para muitos jogos. É uma crítica que a gente sempre faz, que esse formato deveria ter sido mudado há muitos anos", afirmou.
Belén concordou com a necessidade de melhorias e questionou a escolha de Quito como sede, relatando que algumas atletas passaram mal durante a competição em razão das condições locais. A atacante também cobrou maior investimento e ambição dos dirigentes responsáveis pelo futebol feminino sul-americano.
"Há países que estão ficando para trás, há países que não crescem, mas também há países que estão chegando a um patamar mais próximo do Brasil. Acredito que ainda falta muito para o futebol feminino sul-americano", opinou.
Favoritismo, responsabilidade e busca pelo título
O peso do histórico corintiano na Libertadores também foi abordado após declarações de Byanca Brasil, do Cruzeiro, que atribuiu ao Corinthians maior responsabilidade pela conquista. Vic discordou da ideia de transferir a obrigação de vencer para apenas um dos finalistas, enquanto Belén afirmou que a pressão não modifica sua preparação para a partida.
"Se eu estivesse do outro lado, não seria uma frase que eu falaria, até porque, se estivesse na final, assumiria a responsabilidade do mesmo jeito que estou aqui", respondeu Vic.
Para Belén, a oportunidade de disputar sua primeira final continental representa uma etapa importante da carreira, mas não altera a necessidade de manter o equilíbrio emocional diante de um adversário conhecido. A uruguaia afirmou que procura transformar a pressão em motivação e destacou a experiência do elenco corintiano em decisões.
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