O governo federal vai incluir no Orçamento de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões no caixa dos Correios como parte do plano de recuperação da estatal.
O que aconteceu
Proposta orçamentária prevê aporte de R$ 6 bilhões nos Correios em 2027. O governo afirma que a medida faz parte de um plano de recuperação da empresa e deve constar no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) do ano que vem.
Governo diz que o dinheiro busca dar estabilidade para a estatal negociar e tocar a reestruturação. Em nota de hoje assinada pelos ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações), o Executivo afirma que o aporte dá maior estabilidade para seguir negociando com seus clientes e fornecedores.
Texto do PLOA 2027 deve ser enviado ao Congresso amanhã.
Correios divulgaram ontem um prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre. O resultado representa queda de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a empresa.
Plano de reestruturação e crédito
Correios apontam pressão sobre receitas e custos como parte dos desafios recentes. A empresa citou queda das receitas dos serviços postais tradicionais, aumento dos custos operacionais, passivos judiciais herdados, concorrência mais forte na logística e custos para manter a rede do serviço postal universal.
Estatal diz que já fez operações de crédito de R$ 12 bilhões com garantia da União. A empresa afirma que aprovou no ano passado um plano de reestruturação para reforçar a liquidez de curto prazo e que concluiu essas captações.
Empresa afirma negociar novo empréstimo de cerca de R$ 7 bilhões, também com garantia do governo. Segundo os Correios, a negociação está em estágio avançado.
Governo afirma que acompanha a reestruturação e cita medidas para cortar despesas e aumentar receita. Na nota, os ministros dizem que a estatal tem tomado ações para reduzir despesas, ampliar a receita operacional e equacionar o fluxo de caixa.
Ministros destacam mudança no perfil da dívida e redução de custos no semestre. Eles afirmam que a empresa encerrou o semestre sem empréstimos vencendo no curto prazo, quitou o empréstimo mais oneroso e alongou a dívida de 18 para 180 meses; a nota também diz que os custos dos serviços somaram R$ 7,6 bilhões no primeiro semestre, 14% abaixo do orçado.
Lula disse recentemente que o governo pretende recuperar, e não privatizar, os Correios. O presidente, que é candidato à reeleição em outubro, afirmou que a estatal deve ser reestruturada após registrar prejuízos por vários trimestres seguidos.
* Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo
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