A Rússia já flertou com ter a 6ª principal liga da Europa. Hoje, ainda em meio à guerra com a Ucrânia, os times do país não conseguem mais atrair reforços europeus por uma série de fatores e investem cada vez mais no futebol sul-americano.
Por que sul-americanos?
A Rússia lida com uma série de sanções da União Europeia. As restrições financeiras impostas aos bancos locais passaram a dificultar negociações de clubes russos com jogadores de times que ficam em nações pertencentes ao bloco econômico. Esportivamente, a seleção e os times do país estão proibidos pela Fifa e pela Uefa de disputarem competições internacionais.
A alta fiscalização e a série de restrições fizeram os times russos mirarem no futebol sul-americano, onde não enfrentam os mesmos problemas para conseguirem reforços, pelo menos na parte financeira. No passado, esses investimentos já trouxeram resultados. Vagner Love (CSKA), Hulk (Zenit) e Mário Fernandes (CSKA) são alguns dos exemplos de brasileiros que viraram ídolos no futebol local.
Mesmo com as restrições esportivas e financeiras, o mercado russo atrai sul-americanos pelos salários acima dos praticados na América do Sul e por ser uma porta de entrada na Europa.
Os clubes russos encontram na América do Sul jogadores de qualidade por valores mais competitivos do que nos principais mercados europeus e têm capacidade para oferecer condições financeiras muito superiores às praticadas por grande parte dos clubes sul-americanos. Mesmo com as restrições atuais e fora das competições da Uefa, essa diferença de poder de compra mantém a Rússia como um mercado atrativo. Rui Costa, diretor executivo de futebol ex-São Paulo
A Copa da Rússia, transmitida pelo UOL, é um exemplo disso. Na fase principal — com os 16 times da elite —, são 161 jogadores estrangeiros, sendo 66 deles sul-americanos, 52 europeus, 27 africanos, 9 asiáticos e 7 vindos da América Central ou do Norte. Os brasileiros são a maioria entre as nacionalidades, com 35 representantes.
Quem vive um clube russo diariamente aponta outros fatores que vão além da parte econômica. A adaptação e o histórico dos sul-americanos na Rússia fazem os clubes investirem tanto neste tipo de jogadores.
É uma combinação de vários fatores. Historicamente, os melhores estrangeiros que atuaram na Rússia são sul-americanos. Outro fator importante é a adaptação... Sempre que conversei sobre esse assunto, ouvi que os sul-americanos se adaptam muito rápido à cultura e ao futebol russo. Eu mesmo, como fisioterapeuta brasileiro, me sinto bastante confortável e sou muito bem tratado por aqui. Diogo Leite, fisioterapeuta do FC Sochi
Três das cinco contratações mais caras da atual janela na Rússia são sul-americanas. O atacante Felipe Augusto, revelado pelo Corinthians e que estava no Trabzonspor (TUR), foi contratado por R$ 90 milhões. O meio-campista Christian deixou o Cruzeiro e foi para o Krasnodar por R$ 57 milhões. Na última semana, o equatoriano Plata deixou o Flamengo e chegou ao Dínamo Moscou por R$ 60 milhões.
Sul-americanos na elite da Rússia
Copa da Rússia no UOL
O UOL transmite três jogos da Copa da Rússia nesta semana. A competição vai para a terceira rodada da fase de grupos.
1/9 - Zenit x Dínamo Makhachkala - 12h301/9 - Rostov x CSKA - 14h453/9 - Dínamo Moscou x Akhmat Grozny - 13h30
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