Vitória por 3 a 0 no clássico contra o Botafogo, distância reduzida em relação ao Palmeiras e reforços à vista. O cenário no Flamengo, no entanto, não é de euforia.
O pós-jogo serviu para autocrítica. Sem autoengano. O técnico Leonardo Jardim e o zagueiro Léo Ortiz foram os porta-vozes da leitura interna no Flamengo.
"A gente não conseguiu matar o jogo da maneira que a gente gostaria. Sofremos bastante. (...) A gente não se engana com o 3 a 0 de hoje. A gente sabe que poderia ter feito muito melhor", disse Ortiz.
O enredo do duelo no Maracanã serviu para manter abertas feridas e preocupações recentes, que já resultaram em sufoco contra o Cruzeiro e também em uma derrota recente para o mesmo adversário.
Roteiro conhecido
O roteiro rubro-negro tem sido assim: um primeiro tempo de muito volume de jogo, controle, chances — a maioria desperdiçadas. Quando consegue um gol, o placar é magro (1 a 0). Aí, depois do intervalo, o time volta desconectado, mostrando uma queda física vertiginosa e passa sufoco.
Pelo menos contra o Botafogo dois gols apareceram na reta final do segundo tempo, e o jogo terminou 3 a 0. Se fosse pelo primeiro tempo, um placar compatível. Mas pelo que (não) aconteceu na etapa final, um saldo meio esquisito.
"No primeiro tempo, talvez 3 a 0 se encaixaria melhor com o que foi o jogo. Acaba ficando um resultado meio estranho no final porque a gente faz os gols bem no fim e por boa parte do segundo tempo a gente sofreu, mais ou menos o que aconteceu nos últimos jogos. Vale ressaltar a importância de não termos sofrido gols hoje. Acho que isso foi o diferente", acrescentou Léo Ortiz.
A percepção é que os erros do Flamengo ajudam a regenerar a confiança do adversário, mesmo quando há uma "surra" de posse de bola e chances na primeira parte do jogo.
"Do outro lado, tem uma equipe que sente: 'eles já chutaram 10 vezes e só fizeram um gol', ficam com confiança. E aí voltam para a segunda parte e reagem. Porque, se tivessem entrado uma ou duas bolas, não haveria essa conversa. Quem disputa esporte sabe que tem isso. Não é que a equipe relaxou, que os jogadores estão convencidos, não", analisou Leonardo Jardim.
Contra o Botafogo, essa falta de controle foi nítida no segundo tempo. E se refletiu em erros de passe, perdas de duelos no meio e sustos com bolas cruzadas na área. Em termos de jeito de jogar, quando o Flamengo cai em um jogo de transição desvairada e o duelo fica descontrolado, tende a sofrer.
"O que eu acho é que às vezes acontece uma reação do adversário, e nós começamos a falhar um passe, dois. Hoje tivemos ali quatro ou cinco passes, Royal, Jorginho, Ayrton, parecia que a bola estava quente. 'Calma, segura a bola, joga'. Às vezes o erro contagia, acho que foi isso. A equipe está focado, no intervalo a gente fala o mesmo do início, que temos que nos impor. E também não é parte física porque acabaram de descansar no intervalo, não podem estar cansados. Tem essa lógica. Mas com certeza queremos voltar melhores, não deixar os adversários reagirem. Por isso, temos que fazer mais um gol no primeiro tempo e resolver", acrescentou Leonardo Jardim.
A tarefa do Flamengo a essa altura do campeonato é evitar que essa oscilação possa custar mais pontos, até porque é um momento de aproximação ao Palmeiras. Nesta semana, inclusive, a diferença pode cair para um ponto, se o time de Leonardo Jardim vencer o Mirassol quarta-feira, deixando assim de ter um jogo a menos.
"Não é um jogo que está entregue para a gente. Nada vem de graça em um Campeonato Brasileiro. Não podemos deixar mais pontos. Contra o Cruzeiro, a gente estava com a partida na mão e baixou a guarda", completou Ortiz.
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