Apex Partners S/A informou hoje que a Justiça determinou nesta terça-feira, a pedido da empresa, a indisponibilidade de todos os bens de Fernando Cinelli, ex-presidente da Companhia, além da quebra de seu sigilo bancário. Segundo a companhia, foram identificadas transferências de recursos para conta pessoal do executivo, que é investigado pela própria empresa por transações que incluem aportes na CVC Corp.
O que aconteceu
Juiz cita identificação de transferências de valores. Na decisão, o juiz Marcos Pereira Sanches registra que os documentos apresentados demonstram transferências de recursos das contas da ABM Partnership Investimentos e Participações para a conta bancária pessoal de Cinelli, em valor estimado de R$ 5 milhões, sem que, nesta análise preliminar, tenha sido identificada razão jurídica capaz de justificá-las.
Apuração interna preliminar da Apex identificou outras movimentações. Somadas, essas transferências superam R$ 23 milhões, disse a empresa. Os recursos tiveram como destino contas de titularidade do ex-presidente. O montante permanece sob análise e poderá ser atualizado à medida que avançarem os trabalhos da auditoria independente.
Investigação não identificou relação entre transações e recursos de investidores. Segundo a Apex, verificações internas realizadas até o momento ainda não identificaram relação entre essas transferências e recursos diretamente aportados por investidores em projetos imobiliários ou fundos de investimento.
Ao conceder a tutela de urgência, o magistrado considerou presentes indícios suficientes das transferências e risco de dissipação patrimonial em prejuízo dos credores. A decisão tem natureza cautelar e foi proferida em análise preliminar, estando sujeita ao contraditório e à ampla defesa no decorrer do processo.
Decisão também determinou medidas de preservação documental. Juiz ordenou ainda a entrega de informações, o aprofundamento da auditoria e acompanhamento das operações da Companhia, providências que serão integralmente cumpridas pela Apex.
Negócios sob investigação
Investigações na Apex envolvem participação da firma no grupo de turismo CVC. Gestora capixaba comprou mais de 15% das ações da CVC Corp entre 2025 e 2026. A operação, batizada de "Master Capixaba" pelo mercado, não foi paga só com recursos próprios: a Apex canalizou dinheiro de um ecossistema de investimentos de R$ 17,5 bilhões, que reúne ativos de clientes, fortunas sob gestão (wealth management) e fundos de terceiros.
Desconfiados dos aportes na CVC, os próprios sócios da Apex montaram um grupo para auditar as contas da gestora. A apuração, concluída na primeira semana de agosto, apontou "inconsistências financeiras", levando ao afastamento dos executivos e ao anúncio da crise ao mercado. Os sócios anunciaram, na sequência, a contratação de uma auditoria externa independente para aprofundar o levantamento.
Fernando Cinelli foi afastado da presidência da Companhia no dia 6 de agosto, após a identificação de inconsistências financeiras em apurações internas. Desde então, a nova administração vem adotando todas as medidas necessárias para esclarecer os fatos, individualizar responsabilidades, preservar os ativos e buscar a recuperação dos eventuais prejuízos.
Empresário diz que está colaborando com apuração. Em nota ao UOL, o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, afirma que está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade.
Fundador afastado da Apex disse que à Justiça para provar que não decidia sozinho. Cinelli acionou a Justiça do Espírito Santo para obter documentos de 12 empresas do Grupo Apex. O executivo, que foi afastado da presidência em 5 de agosto, quer ter acesso a atas, contratos e emails para preparar sua defesa. As provas que ele pede estão ligadas a três operações do grupo: a compra de 15,5% da CVC Brasil, a emissão de R$ 452,1 milhões em debêntures (títulos de dívida) pela Rhino Securitizadora e a gestão do fundo BRM Carbyne.
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