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UOL há 77 d • Sex, 14 Ago 2026 23:00:00 -0300

Alta do PIB acima de 2% se torna mais difícil em 2026, dizem economistas

Economistas afirmam que a possibilidade de o PIB (Produto Interno Bruto) crescer acima de 2% no Brasil em 2026, como preveem o Ministério da Fazenda e o FMI (Fundo Monetário Internacional), ficou mais difícil e parece menos provável no momento.

A avaliação ocorre após a divulgação dos resultados mais recentes de varejo, serviços e indústria. Para os analistas, parte das atividades que compõem esses setores mostrou novos sinais de perda de ritmo sob impacto dos juros altos para conter a inflação.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) disse nesta quinta-feira (13) que o volume de vendas do varejo cresceu 0,5% em junho frente ao mês anterior, após leve variação positiva em maio (0,3%) e queda de mais de 1% em abril (-1,5%).

Já o varejo ampliado, que inclui atividades de veículos, material de construção e atacado de produtos alimentícios, teve baixa de 1% em junho. Foi o quarto mês consecutivo de taxas negativas.

Ainda de acordo com o IBGE, o setor de serviços ficou estável em junho (0%), após ter registrado leve recuo em maio (-0,2%), enquanto a produção industrial caiu 1,8% no sexto mês do ano. As fábricas tiveram o segundo resultado negativo em sequência.

O IBGE divulgou os dados de serviços na quarta-feira (12) e da indústria na primeira semana de agosto.

"Os juros começam a ter o seu efeito esperado. Era natural que a economia começasse a desacelerar com mais intensidade. Isso reforça a ideia de que PIB acima de 2% este ano está ficando cada vez mais difícil", afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

Ele prevê alta de 1,7% para o indicador em 2026. "Para um crescimento acima de 2%, precisaríamos ver uma aceleração da economia ao longo do ano. Não é o cenário que a gente está vendo no segundo trimestre e definitivamente não é o mais provável até o final do ano", acrescenta.

Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam expansão de 1,98% para o PIB em 2026, conforme o boletim Focus mais recente, divulgado na segunda (10) pelo BC (Banco Central). A estimativa teve leve recuo frente à semana anterior (1,99%).

Em 2025, o PIB cresceu 2,3%. É a mesma taxa prevista pelo Ministério da Fazenda para o indicador em 2026. A projeção de 2,3% foi mantida pela pasta em julho. O FMI, por sua vez, passou a projetar no mês passado expansão de 2,4% para o Brasil neste ano.

Na avaliação do economista André Valério, do banco Inter, é "pouco provável" que o crescimento se sustente acima de 2% em 2026. O Inter prevê alta de 1,8% para o ano e de 0,5% para o segundo trimestre em relação ao primeiro.

Nos três meses iniciais de 2026, a economia cresceu 1,1% com auxílio da safra. O PIB do segundo trimestre será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro.

"A gente vê sinais cada vez mais claros de perda de dinamismo [da atividade econômica], mesmo com todas as medidas que o governo implementou ao longo deste ano de incentivo fiscal", diz Valério.

Caso as projeções dos analistas se confirmem, 2026 será o primeiro ano com variação do PIB inferior a 2% desde 2020, quando a economia amargou queda de 3,3% sob efeito da pandemia.

O economista Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, avalia que a desaceleração da economia ficou mais "homogênea" nos últimos meses, ao aparecer em diferentes atividades.

O movimento, diz, é esperado devido ao aperto dos juros e ao efeito da base de comparação elevada dos últimos anos.

Por ora, a Buysidebrazil tem uma previsão de alta de 1,9% para o PIB de 2026 e de variação positiva de 0,1% para o segundo trimestre frente ao primeiro, conforme Sartori.

"É natural que a gente veja uma desaceleração. É saudável que isso aconteça, porque, se a economia continuasse crescendo no mesmo ritmo em que estava, provavelmente a gente teria [mais] inflação."

No início de agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida.

O colegiado do BC, porém, disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia.

Ao comentar os dados do varejo divulgados pelo IBGE, o economista Alexandre Maluf, da XP, afirmou em relatório que o consumo das famílias perdeu fôlego no segundo trimestre, após um primeiro trimestre "forte".

Isso, conforme Maluf, é "consistente" com a visão de desaceleração gradual da demanda doméstica ao longo de 2026.

O economista disse que a renda segue em trajetória de alta e que as medidas de estímulos do governo devem continuar sustentando o consumo no curto prazo, mas há um contraste com a política de juros e o endividamento das famílias, que pesam sobre atividades sensíveis ao crédito.

A XP espera que o PIB cresça 2% em 2026 e 1% em 2027.

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