A Justiça argentina prendeu 16 policiais da província de Misiones, suspeitos de participar do desaparecimento forçado do agricultor Mario Golemba, ocorrido há 18 anos. Segundo o El País, a investigação apura uma suposta detenção ilegal, agressões e um pacto de silêncio para ocultar o caso.
O que aconteceu
Golemba tinha 27 anos quando desapareceu, em 27 de março de 2008, após sair de uma consulta com um nutricionista em Oberá. Ele avisou à companheira por mensagem que voltaria para casa no fim da tarde, mas não foi mais visto.
Investigadores acreditam que Golemba foi levado à delegacia de Dos de Mayo, cidade a cerca de 1.100 quilômetros de Buenos Aires. O corpo do agricultor nunca foi encontrado, mas a apuração aponta que ele pode ter sido morto na unidade policial.
A Procuradoria acusa os agentes de usar a estrutura da delegacia para prender Golemba ilegalmente e fazê-lo desaparecer. A acusação sustenta que os envolvidos tiveram diferentes funções em um plano criminoso comum.
A juíza María Verónica Skanata ordenou as prisões após analisar provas, escutas telefônicas e depoimentos reunidos no inquérito. Entre os investigados está o comissário Evaldo Katz, que chefiava a delegacia de Dos de Mayo na época do desaparecimento.
A Gendarmaria fez as prisões em diferentes pontos de Misiones, e vários suspeitos já estavam aposentados. O policial Alfredo Lorenzo Ortiz continua foragido.
Investigação foi reaberta em 2021
A família registrou o desaparecimento 48 horas depois da última mensagem de Golemba, que vivia na área rural de Picada Indumar. Cartazes com a foto dele se espalharam pela província, e o governo de Misiones chegou a oferecer recompensa por informações.
Dois presos que passaram pela delegacia de Dos de Mayo relataram, um ano depois do desaparecimento, que viram Golemba chegar algemado ao local. Eles também disseram que policiais o agrediram e depois o levaram em uma caminhonete.
A causa passou à Justiça Federal de Posadas em 2021, após pedido dos familiares, e passou a investigar o caso como desaparecimento forçado de pessoa. A mãe de Golemba, Irma Komka, pediu à Procuradoria: "Só peço um ossinho para poder levar uma flor para ele".
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