Faltou à esquerda ir mais às ruas neste mandato do presidente Lula (PT), avaliou João Paulo Rodrigues, diretor do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), no Frente a Frente, do Canal UOL.
Ao falar sobre mobilização popular no terceiro mandato de Lula, Rodrigues disse que a esquerda teve pouco fôlego para colocar gente na rua e citou exemplos como atos fracos no 1º de Maio e pautas que podem travar no Congresso.
Não é só o MST. Faltou à esquerda ir mais às ruas. Se você pegar os nossos Primeiros de Maio, foram fracos. Nós deveríamos ter feito mais lutas contra a presença da 'política imperialista' no Brasil. O tema da escala 6x1, se nós não formos para as ruas, vai morrer no engavetamento do Congresso e do Senado Federal. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
Na avaliação do dirigente, a falta de mobilização não se explica apenas por "vontade", mas por dificuldades acumuladas nos últimos anos. Ele citou o que chamou de enfraquecimento da agenda do mundo do trabalho e impactos dos governos Temer e Bolsonaro.
Houve um enfraquecimento nesse último período, em especial da agenda do mundo do trabalho. Os governos de Bolsonaro e Temer fizeram um ataque muito grande e isso dificulta ainda mais. E houve, claro, uma desorganização por parte do movimento popular do campo e da cidade. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
Rodrigues também disse que a esquerda fez "uma única grande mobilização" quando o Congresso aprovou a "PEC da Blindagem" e avaliou que outras bandeiras poderiam ter ganhado corpo, sem que isso significasse agir "contra o governo".
Não é contra o governo somente; são bandeiras da classe trabalhadora que nós precisamos decidir. Estou falando isso como autocrítica, não para culpar ninguém responsável por isso. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
Para o diretor do MST, um eventual próximo mandato de Lula precisaria combinar projeto político com pressão e presença nas ruas. Ele afirmou que "o povo na rua ajuda o governo" e disse estar "animado" com a possibilidade de recuperar capacidade de luta.
O próximo mandato do presidente Lula tem que ser um governo com o povo de rua. O povo na rua ajuda o governo, não atrapalha.
Eu estou muito animado que o mesmo movimento que vai se criar para eleger o presidente Lula será o mesmo movimento para defendê-lo, mas também para defender as pautas de reivindicação da classe trabalhadora junto ao governo. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
Quero deixar registrado que não há sucessor natural do presidente Lula, nem quem está com mandato, nem governador, nem ministro, ou quem se autodeclara o 'pós-Lula'. Está em aberto e a história é muito rigorosa com quem queira se sentar na cadeira no próximo período. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
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