O balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 dividiu o mercado financeiro, mas a C&A recebeu as avaliações mais favoráveis entre os especialistas que analisaram seus resultados. Magazine Luiza (Magalu) teve opiniões divergentes, enquanto as Lojas Renner decepcionaram os analistas. As três gigantes do varejo divulgaram seus resultados nesta semana.
O que você precisa saber
A C&A recebeu as melhores avaliações dos bancos porque conseguiu melhorar a rentabilidade das vendas. Instituições como Safra e BTG Pactual elogiaram a melhora na margem bruta, indicador que mostra quanto da receita permanece depois dos custos diretamente relacionados aos produtos vendidos.
O crescimento nas vendas de roupas agradou os especialistas, que projetam cenário melhor para os próximos meses. O banco BTG destacou a alta de 4,1% nas vendas em lojas que já estavam abertas há mais de um ano, mostrando avanço nas vendas das unidades que já estavam em operação. O Safra escreveu que o resultado afasta preocupações passadas: "Os resultados do 2T26 reforçam nossa visão de que a pressão sobre as receitas do quarto trimestre de 2025 não era estrutural. (...) A expansão da margem bruta traz um tom mais construtivo para os próximos trimestres, que contarão com bases de comparação mais favoráveis".
A perda de dinheiro em caixa foi o principal alvo de críticas entre as corretoras. A XP Investimentos considerou os números dentro do esperado, mas alertou que o aumento no estoque de roupas piorou o capital de giro, o dinheiro que mantém a empresa funcionando no dia a dia. O Bradesco BBI destoou do otimismo e classificou o balanço como "neutro a levemente negativo", justificando que a geração de fluxo de caixa foi o "ponto fraco" do trimestre, já que a empresa "queimou" R$ 159 milhões em caixa livre. Essa foi uma das razões para que as ações da C&A fechassem em queda de 3,91% no pregão de 5 de agosto, um dia após a divulgação do balanço.
O Magazine Luiza aparece em segundo, dividindo as opiniões do mercado financeiro. O Safra considerou o balanço da varejista ligeiramente negativo devido ao alto consumo de dinheiro e ao cenário econômico difícil, já que a empresa registrou prejuízo líquido ajustado (resultado financeiro que exclui eventos pontuais) de R$ 50 milhões. Esse tombo superou a perda de R$ 30 milhões projetada pelo Safra, puxado pela retirada dos cofres de R$ 844 milhões em um ano apenas para bancar a operação diária (consumo de caixa subjacente).
Mas o avanço das lojas de rua do Magalu evitou um tropeço maior, já que as vendas pela internet recuaram. As vendas nas lojas físicas subiram 10,3% e superaram as expectativas dos especialistas, mas o comércio digital caiu 11,9% na comparação com o ano passado. A venda pela internet encolheu porque a demanda por eletrônicos recuou com os aumentos globais de preços em celulares, computadores e televisores, um problema provocado pela falta e encarecimento de chips de memória em todo o mundo.
O recuo nas vendas online deixou parte dos analistas em estado de alerta. O banco JPMorgan manteve recomendação para vender as ações da companhia por avaliar que as lojas físicas não compensam o recuo na internet, que sofre com a concorrência agressiva. A corretora XP classificou o resultado como "fraco", refém do repasse ao consumidor dos altos custos de produção. Já o BTG Pactual adotou um tom otimista ao manter a recomendação de compra para as ações, elogiando o corte de despesas administrativas e a boa lucratividade da Luizacred, braço de financiamento da companhia. Na sexta (7), dia seguinte à divulgação do balanço, as ações da Magalu caíram 3,72%.
Já as Lojas Renner foram as que mais decepcionaram os analistas entre as três varejistas analisadas. O Banco Safra classificou os números como negativos devido ao baixo ritmo de vendas, ao lucro fraco e ao corte nas projeções da própria empresa para 2026. O lucro líquido (o valor final que sobra no bolso da companhia após pagar todas as despesas e impostos) somou R$ 405 milhões, 9% abaixo do esperado. O balde de água fria foi a redução na estimativa de crescimento (guidance), referência usada pelo mercado para acompanhar as perspectivas da companhia. A previsão para 2026 caiu da faixa de 9% a 13% para 4% a 8%.
O desempenho das lojas de roupas da Renner ficou muito atrás do ritmo alcançado pelas rivais. As vendas do principal braço da Renner subiram 1,5% no trimestre, contra 4,1% da C&A e 7,8% da Riachuelo. O BTG Pactual demonstrou preocupação com a desaceleração das vendas, com receitas muito abaixo do esperado, apontando que as vendas nas lojas que já existiam há um ano cresceram tímidos 0,5% no trimestre, pressionadas pelo enfraquecimento do consumo das famílias e pela concorrência de plataformas digitais internacionais.
O corte nas projeções de crescimento aumentou a desconfiança do mercado. O banco Itaú BBA apontou que a redução das metas da diretoria logo no começo do ano assusta quem investe na rede, mantendo as ações sob pressão no curto prazo e diminuindo a previsibilidade para a expansão da empresa: "Mais do que o resultado abaixo do esperado, a forte redução das projeções enfraquece a confiança nas estimativas futuras e aumenta as dúvidas sobre o ritmo de crescimento da companhia", diz. Na sexta (7), dia seguinte à divulgação do balanço, as ações da Renner caíram 8,09%.
A temporada de balanços do varejo continua na próxima semana, com os resultados das Casas Bahia entre os mais aguardados. Em meio ao processo de reestruturação financeira e operacional, investidores acompanharão se a empresa dará prioridade à recuperação das margens (ganho por venda), como fizeram outras varejistas brasileiras, ou buscará acelerar o crescimento para disputar participação de mercado com os grandes marketplaces.
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