O Ideb, índice que mede a qualidade da educação básica, completa 20 anos e mostra que o Brasil recuperou, em 2025, os níveis de aprendizagem de 2019.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora Extra, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo, disponível nas principais plataformas. Ouça aqui.
O índice divulgado em 2026 se refere ao ano de 2025 e era aguardado porque o resultado anterior, de 2023, refletiu o impacto da pandemia, que derrubou avanços acumulados em mais de uma década, segundo José Roberto de Toledo.
Você teve um crescimento generalizado no aprendizado no último biênio, entre 2023 e 2025, nas três etapas avaliadas. O Brasil recuperou, de forma geral, os níveis de aprendizagem que tinha lá em 2019, antes da pandemia. Foi meia década perdida graças à pandemia e que agora está sendo recuperada. Além disso, quando você analisa a série histórica desses 20 anos, ocorreu uma melhora significativa no fluxo escolar.José Roberto de Toledo
Toledo afirma que o Ideb mudou a forma como se fala de educação no país ao sintetizar, em uma nota, diferentes indicadores. Para ele, o índice permite enxergar o panorama nacional e, ao mesmo tempo, a realidade de estados e municípios.
Toledo destaca que a recuperação veio acompanhada de melhora no chamado fluxo escolar, que envolve manter o aluno na escola, reduzir evasão e evitar a distorção idade-série, quando crianças e adolescentes acabam na mesma turma em idades muito diferentes.
Thais Bilenky avalia. "E a autoestima de quem é mais velho cai e a de quem é mais novo também. E aí atrapalha todo mundo."
A proporção de municípios que conseguiram um Ideb acima de 6 cresceu de 43% em 2023 para 58% em 2025. E aqueles abaixo de 5 eram 1.097 municípios dos 5.570; agora são 442. Você não está aumentando a dispersão. Você está conseguindo trazer boa parte dos que estavam atrasados para esse processo, o que também é muito importante para diminuir a desigualdade.José Roberto de Toledo
Outro ponto citado por Toledo é a redução da diferença entre rede pública e particular. Segundo ele, a rede pública avançou mais rápido no período, o que ele atribui a políticas públicas nas redes municipais e estaduais, onde está a maioria dos alunos.
Mas o avanço não resolve o principal problema: o patamar de aprendizagem ainda é baixo. Toledo diz que, nos anos finais do ensino básico, a média dos estudantes segue no nível básico em português e matemática.
No ensino médio a situação é mais crítica ainda: o português está no nível básico e a matemática está abaixo do básico. Isso é muito grave. Melhorou, melhorou mais para quem precisa mais, fato. Mas está muito longe das metas que o Brasil se autopropôs a alcançar.José Roberto de Toledo
Ele também chama atenção para diferenças regionais que desafiam o senso comum. Ele afirma que o melhor Ideb do país é o do Paraná, nas três etapas, seguido por Ceará e Goiás, e que capitais como Curitiba e Teresina aparecem entre os destaques nos anos iniciais.
Ao mesmo tempo, Toledo cita resultados fracos em diferentes recortes: Amapá, Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte entre os piores nos anos iniciais; Tocantins em último nos anos finais; e o Distrito Federal como a única rede a retroceder no ensino médio, apesar de ser a unidade mais rica.
Para Toledo, o Ideb ajuda a separar o que melhorou do que ainda trava o país. "Se você não acredita que a educação funciona e que ela tá melhorando, é melhor mudar de país", afirma o colunista, ao defender que a política educacional seja tratada como prioridade suprapartidária.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
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