Depois de três anos de tentativas, um gato selvagem que dizimou diversas aves raras e outros animais nativos foi finalmente capturado e abatido na Nova Zelândia.
O que aconteceu
O gato feral de pelagem cinza foi identificado na península de Purerua, no norte do país, em 2023. Imagens registradas por câmeras de monitoramento documentaram ataques à fauna da região.
Estima-se que o animal tenha sido responsável pela morte de dezenas de pateke (brown teal), uma das aves aquáticas mais raras do local. Ele também teria predado filhotes de kiwi, lagartos nativos e outros animais.
Desde então, as autoridades montaram uma força-tarefa para caçá-lo. As equipes utilizaram câmeras noturnas e armadilhas, além de monitorarem constantemente a região.
O felino, porém, era difícil de capturar. Ele conseguiu escapar de diversas armadilhas ao longo dos anos, o que lhe rendeu o apelido de "Nine Lives" (Nove Vidas).
Esse gato em particular era muito imprevisível. Aparecia em um determinado lugar e depois desaparecia por dois ou três meses. Ele surgia ao entardecer, à meia-noite, de madrugada, durante o dia todo. Nunca havia um padrão previsível, o que tornava muito, muito difícil rastreá-lo. Andy Mentor, gerente do projeto de conservação Pest Free Purerua, ao The Guardian
Ao longo das operações, diversos outros gatos foram capturados, mas Nine Lives continuava escapando. Depois de inúmeras tentativas, ele caiu em uma armadilha no final de julho, após ser localizado frequentando uma área de pedreira.
Após a captura, as autoridades realizaram a eutanásia do animal de maneira considerada humanitária. Seu corpo será estudado e poderá ser utilizado em ações educativas. "Enviamos nossos caçadores para verificar e lá estava ele. Então, foi abatido de forma humanitária", afirmou Mentor.
Um problema sério
Os gatos ferais representam há anos um grave problema para a conservação ambiental na Nova Zelândia. O governo mantém diversas ações de controle porque esses animais são considerados uma ameaça à biodiversidade e predam espécies nativas.
Por isso, o animal está incluído no programa Predator Free 2050, iniciativa que pretende eliminar os principais predadores introduzidos no país até 2050. O programa foi anunciado pelo governo neozelandês como parte de uma estratégia de longo prazo para proteger a fauna nativa.
Segundo o governo: "Gatos selvagens agora são encontrados por toda a Nova Zelândia, de fazendas a florestas, e exercem enorme pressão sobre aves, morcegos, lagartos e insetos nativos."
Além da predação, os gatos ferais também podem contribuir para a disseminação de doenças. De acordo com as autoridades, eles podem transmitir toxoplasmose, uma doença que pode afetar seres humanos e animais e também causar impactos sobre a fauna marinha e a produção agropecuária.
Por outro lado, a decisão de erradicar os gatos gera críticas de grupos de proteção. Christine Sumner, representante de uma organização de bem-estar animal da Nova Zelândia, afirmou compreender os impactos dos gatos ferais sobre a fauna nativa, mas defendeu maiores investimentos em métodos alternativos de controle.
Segundo ela, é necessário buscar formas de retirar os animais das áreas de conservação sem recorrer necessariamente ao abate. "Estamos falando de removê-los do ambiente, e isso atualmente é feito por meios letais, o que não nos agrada. Esse é o maior desafio", disse ao The Guardian.
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