O Dia Internacional da Cerveja é comemorado hoje, na primeira sexta-feira de agosto, e a data chega com um alerta para a Tchéquia, país que há décadas lidera o consumo per capita da bebida, mas vem bebendo menos — sobretudo entre os jovens.
O que aconteceu
Consumo de cerveja na Tchéquia caiu para a mínima histórica de 121 litros por pessoa em 2025. O dado foi divulgado pela Associação Tcheca de Cervejarias e Malteiras e virou notícia nacional, em um país de cerca de dez milhões de habitantes que construiu parte de sua identidade em torno dos bares e da bebida.
Queda recente equivale a oito cervejas a menos por pessoa em um ano. A emissora pública Cesky Rozhlas registrou que cada tcheco bebeu oito cervejas a menos em 2025 do que em 2024.
Entidade do setor atribui a mudança a um consumo mais moderado e ao foco em qualidade. Tomas Slunecko, diretor-geral da associação, afirma que os tchecos têm valorizado mais um estilo de vida saudável e, quando bebem, buscam variedade e qualidade em vez de quantidade.
Interesse por cerveja sem álcool cresce e ajuda a explicar a virada de hábito. Slunecko diz que a tendência é confirmada pelo aumento, ao longo do tempo, da procura por versões sem álcool.
Mudanças no preço, produção e consumo
Consumo migra dos bares para dentro de casa, e o setor tenta reagir. Em 2025, cerca de uma em cada quatro cervejas vendidas no país foi consumida em bares e restaurantes, e a associação pediu ao governo redução do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) da cerveja de barril para estimular esse mercado.
Preço do chope subiu e virou parte da discussão sobre a queda. O meio litro do chope passou de 40 para entre 50 e 60 coroas nos últimos anos, o equivalente a cerca de R$ 11,60 a R$ 14,50.
Produção de cerveja no país também recuou, com pressão adicional no exterior. A produção na Tchéquia caiu 4,3% em 2025, para 1,9 milhões de litros, e o consumo também diminuiu em mercados que compram cerveja tcheca, como a Alemanha.
Médicos e especialistas em dependência veem a redução como um avanço em saúde e segurança. Tom Philipp, ex-vice-ministro da Saúde e deputado do Partido Popular Tchecoslovaco, afirma que o país está deixando para trás a lógica de beber muito e normalizando beber menos ou não beber.
Entre os jovens, álcool perde apelo, mas especialistas alertam para outros riscos. Katerina Duspivova, do Instituto Tcheco de Pesquisa Empírica, diz ser preocupante que o álcool funcione como substituto para a falta de aconselhamento e assistência, e aponta aumento do uso de novas substâncias não regulamentadas, além de excesso de redes sociais e jogos online.
Pesquisa europeia aponta que parte dos adolescentes usa álcool como válvula de escape. No Estudo Europeu sobre Álcool e Outras Drogas nas Escolas de 2024, 14% dos jovens de 16 anos na Tchéquia disseram beber para esquecer problemas, e 11% afirmaram recorrer ao álcool quando se sentem tristes.
Queda no mundo pressiona cervejarias
A produção global de cerveja caiu 0,7% em 2025, para 189,6 bilhões de litros. A estimativa é de uma análise da BarthHaas, comerciante de lúpulo com sede em Nuremberg, e inclui cervejas sem álcool, que ganham espaço em alguns mercados.
Europa e América do Norte registraram recuos, enquanto o Brasil foi na direção contrária. A produção europeia caiu 1,6%, e a norte-americana recuou 1,9%; já a América do Sul cresceu 1,7%, puxada pelo Brasil, cuja produção passou de 15 bilhões de litros.
Cervejarias na Alemanha relatam queda de vendas e alta de custos e apostam em bebidas sem álcool. O setor cita aumento de gastos com energia, pessoal, transporte e embalagens, além de consumidores mais cautelosos; a Associação Alemã de Cervejeiros afirma que as cervejas sem álcool já têm mais de 10% do mercado no país.
* Com informações de reportagens publicadas em 07/05/2026, 22/07/2026 e 07/08/2026.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.