As ações da Lojas Renner são negociadas em forte baixa hoje na Bolsa do Brasil B3, após companhia divulgar resultado trimestral com aumento de lucro, mas redução de projeções para vendas no ano.
O que acontece
Ações da Lojas Renner recuam na Bolsa. Os papéis ON (ordinárias com direito a voto), cedian 13,50%, a R$ 11,66 por volta das 12h40. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,45%.
Lucro líquido da empresa no segundo trimestre foi de R$ 404,6 milhões, alta de 0,02% na comparação anual. Segundo a companhia, o resultado refletiu o desempenho operacional e a menor alíquota efetiva de IR (Imposto de Renda) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), de 18%. O lucro líquido ajustado, que excluiu efeitos extraordinários líquidos de tributos, foi de R$ 397,3 milhões.
Empresa cortou projeção para o desempenho das vendas no segundo trimestre por causa do cenário macroeconômico e competitivo. A estimativa de crescimento de receita líquida para o ano de 2026 de 9% a 13% para 4% a 8%, diante do desempenho de vendas abaixo do esperado no segundo trimestre de 2026 e de uma conjuntura macroeconômica e competitiva mais desafiadora, segundo o CEO Fabio Faccio. A receita líquida de varejo somou R$ 3,69 bilhões no segundo trimestre, alta de 1,08% em um ano.
De acordo com o diretor financeiro da companhia, Daniel Martins, a Copa do Mundo ainda afetou os números de julho. Segundo ele disse na teleconferência de resultados, fatores como a base de comparação mais fraca na segunda metade do ano, bem como a manutenção do plano de abertura e reformas de lojas até o final do ano, "dão tranquilidade" de que a companhia consegue entregar vendas dentro do novo intervalo estimado.
Para BTG Pactual, desaceleração das vendas abaixo do esperado é principal fonte de preocupação. Em relatório, os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim, Beatriz Cendon apontam que as vendas mesmas lojas (SSS) cresceram 0,5%, pressionadas por um ambiente de consumo mais fraco, pela concorrência crescente de plataformas internacionais e pelos impactos da Copa do Mundo sobre o fluxo de clientes.
O segundo trimestre foi claramente mais fraco na linha de receitas, e a administração foi obrigada a revisar seu guidance de vendas para 2026. Ainda assim, a avaliação continua indicando potencial de valorização, apoiada por dividendos atrativos e possíveis recompras de ações. Analistas do BTG
A revisão para baixo das projeções e os resultados abaixo do esperado foram os principais pontos destacados pelos analistas do Itaú BBA também. Segundo o relatório do time lideradopor Rodrigo Gastim, o corte relevante no guidance logo no primeiro ano do ciclo de projeções tende a pressionar as ações, sobretudo diante da desaceleração operacional observada recentemente, de um mês de julho ainda desafiador e do aumento das incertezas para o segundo semestre de 2026 e para 2027.
Mais do que o resultado abaixo do esperado, a forte redução das projeções enfraquece a confiança nas estimativas futuras e aumenta as dúvidas sobre o ritmo de crescimento da companhia. Rodrigo Gastim, analista do Itaú BBA
De acordo com analistas do JPMorgan, a revisão das expectativas reduz a discrepância em relação à visão anterior do banco (+7%). Entretanto, a mudança não elimina completamente os riscos para as estimativas, avaliando que a aceleração necessária no segundo semestre continua desafiadora. "Após o corte do guidance já em seu primeiro ano de vigência, acreditamos que os investidores terão ainda menos propensão a incorporar essas projeções em suas expectativas", afirmaram em relatório a clientes.
Nova faixa de guidance implica crescimento das vendas no varejo de aproximadamente 5% a 13% no segundo semestre, diz JPMorgan. O avanço se mostra desafiador, já que a empresa alcançou avanço de apenas 2,5% no primeiro semestre. As estimativas do banco já estavam abaixo do guidance anterior, em 7%, mas essa projeção ainda exige crescimento de 11% na segunda metade de 2026, acrescentaram.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.