A Polícia Federal (PF) tem razão no atrito com o ministro André Mendonça, do STF, porque ele tentou "dirigir o trabalho da polícia" e criar uma relação de subordinação que é inconstitucional, avaliou Wálter Maierovitch no UOL News, do Canal UOL.
O jurista avaliou que Mendonça errou na tentativa de interferir no trabalho da PF em meio a investigações relevantes como a do Banco Master e do INSS, ambas sob a relatoria do ministro.
Essa relação entre polícia e o juiz, entre polícia e o ministro, que é o relator, é uma relação simplesmente de coordenações. Não é relação de subordinação. E o que o ministro Mendonça quis? Estabelecer uma relação de subordinação, como se fosse ele o titular, o que conduz o inquérito, quando a posição dele é uma posição de fiscalização.Wálter Maierovitch
Maierovitch disse que o episódio ganhou gravidade porque se cogitou uma ação por "descumprimento de preceito constitucional" envolvendo um ministro do Supremo.
Quem tem razão? Quem tem razão, evidentemente, é a polícia. Por quê? Porque o ministro tá se intrometendo, tá querendo dirigir o trabalho da polícia. E ele não pode. Ele é um juiz de verificações de observância de preceitos constitucionais.Wálter Maierovitch
Josias: Governo Lula articula 'armistício' entre Mendonça e PF
Josias de Souza afirmou que o governo trabalha evitar uma escalada na crise e articula um "armistício" entre o diretor-geral da PF, André Rodrigues, e Mendonça. Segundo ele, o presidente Lula (PT) segurou o pedido de providências enviado à AGU para tentar controlar a situação.
O desejo de que se estabeleça um armistício entre Andrei Rodrigues, que é o diretor-geral da Polícia Federal, e André Mendonça, o ministro do Supremo, é muito grande no governo. Tanto que Lula brecou o pedido de providências que a Polícia Federal encaminhou à Advocacia-Geral da União.Josias de Souza
Segundo Josias, o advogado-geral da União, Jorge Messias, atua como "bombeiro" para costurar um acordo de procedimentos, com o objetivo de reduzir a interferência do ministro no trabalho da PF e, ao mesmo tempo, dar ao relator "conforto" sobre a apurações.
O desejo é de que se estabeleça um acordo de procedimentos que leve o ministro a se meter menos no trabalho da polícia e que permita aos investigadores dar ao ministro conforto em relação à percepção de que o trabalho é sério.Josias de Souza
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