As ações da Petrobras são negociadas em baixa ante o fechamento de ontem, após reação positiva de analistas ao balanço da companhia, que reportou aumento de 97% no lucro do segundo trimestre ante igual período de 2025.
O que acontece
Ações da Petrobras são negociadas com ajuste para baixo na Bolsa. Os papéis PN (preferenciais a dividendos) cediam 2,30% às 14h, cotadas a R$ 41,16, enquanto os papéis ON recuavam 2,62%, a R$ 46,07.
Operadores falam em realização de lucros após alta acumulada no ano. Segundo profissionais de mercado, o desempenho operacional da Petrobras era esperado pela maior parte dos agentes de mercado, fator que vinha alimentando ganhos dos papéis, que subiram cerca de 14% desde o fim de junho. No ano, as ações da Petrobras registram variação positiva de 36%.
Diretor da Petrobras volta a descartar dividendo extra. Profissionais de mercado apontaram que o gatilho para realização de lucros foi o comentário de Fernando Melgarejo, na teleconferência de resultados, que a companhia não deve fazer distribuição de dividendos extraordinários.
Tudo o que eu tenho de valor adicional de caixa vou distribuir em dividendos ordinários. Se não tiver investimento a ser feito, se a dívida estiver controlada, não vemos problema nenhum sobre isso proventos extras. Essa lógica continua desde que nós chegamos aqui. Fernando Melgarejo, diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras
Conselho de administração aprovou R$ 17,4 bilhões em remuneração a acionistas. O valor corresponde a R$ 1,34814262 por ação ordinária e preferencial. Terão direito ao pagamento investidores com posição acionária ao fim do pregão de 21 de agosto de 2026. Os recursos serão pagos em duas parcelas iguais, previstas para novembro e dezembro.
Companhia quase dobrou lucro trimestral. A petroleira informou lucro líquido de R$ 52,44 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 97% em relação ao mesmo período de 2025. Desempenho superou projeções de analistas, que projetavam lucro de R$ 45,54 bilhões para o período. Direção da companhia comenta resultados em teleconferência com analistas a partir da 11h45 (horário de Brasília).
Resultado foi o terceiro maior ganho trimestral nominal da história da Petrobras. Segundo levantamento da Elos Ayta, o desempenho fica atrás apenas dos lucros registrados no quarto trimestre de 2020 (R$ 59,9 bilhões) e no segundo trimestre de 2022 (R$ 54,3 bilhões).
A companhia já acumula R$ 85,1 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre de 2026, montante equivalente a 77,3% de todo o lucro obtido durante o ano de 2025, quando a estatal registrou R$ 110,1 bilhões. Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta
Ebitda ajustado somou R$ 93,8 bilhões. O indicador, que mede a geração operacional de caixa, cresceu 79,6% em relação ao segundo trimestre de 2025 e também superou as projeções dos analistas. O fluxo de caixa livre atingiu R$ 38,6 bilhões. O valor representa crescimento de 100,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Exportações mais fortes impulsionaram balanço a Petrobras, diz Itaú BBA. Segundo analistas liderados por Monique Martins Greco Natal, o Ebitda de US$ 19 bilhões ficou cerca de 3% acima da projeção da casa, beneficiado por receitas maiores com vendas externas, o que implicou um preço realizado aproximadamente US$ 4 por barril superior ao estimado. Além disso, os investimentos somaram US$ 4,6 bilhões, em linha com as previsões, enquanto os dividendos ordinários alcançaram US$ 3,4 bilhões, superando tanto as estimativas dos analistas quanto o consenso do mercado.
Mantemos uma visão positiva sobre os resultados da Petrobras no segundo trimestre. A companhia entregou lucro operacional e dividendos acima do esperado, principalmente graças ao forte desempenho das exportações de petróleo. Apesar de os investimentos seguirem em ritmo elevado e indicarem um capex anual acima do guidance atual, a geração de caixa permaneceu robusta e sustentou uma remuneração aos acionistas superior às expectativas. Monique Martins Greco Natal, analista do Itaú BBA
Para BB Investimentos, Petrobras reportou resultado acima das expectativas em praticamente todas as linhas operacionais e financeiras. Para o analista Daniel Cobucci, a companhia conseguiu capturar margens favoráveis e contou com receitas remanescentes do primeiro trimestre, com parte das exportações em trânsito e dos efeitos da alta do petróleo.
Entre os pontos de atenção, entretanto, destacamos o maior consumo de capital de giro, dado o aumento das contas a receber ligadas ao programa de subvenção de combustíveis. Daniel Cobucci, analista do BB Investimentos
Geração de caixa da Petrobras é destaque positivo para o BTG. Segundo os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, a geração de caixa livre foi considerada robusta, permitindo a redução da alavancagem para 1,14 vez a relação dívida líquida/Ebitda e sustentando o pagamento de cerca de US$ 3,4 bilhões em dividendos, equivalente a um dividend yield trimestral de aproximadamente 3%.
Nossa visão sobre o resultado é positiva. A Petrobras combinou crescimento da produção, preços realizados mais fortes e elevada geração de caixa, o que resultou em dividendos robustos e redução do endividamento. Seguimos vendo uma tese de investimento atrativa, apoiada pela expansão da produção, pelo bom ambiente de preços dos combustíveis e pelo potencial de retorno aos acionistas. Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, analistas do BTG Pactual
Direção da companhia comenta resultados em teleconferência com analistas a partir da 11h45 (horário de Brasília). No evento online, a presidente Magda Chambriard e a diretoria vão responder a questões de profissionais de mercado e detalhar resultados financeiros da empresa.
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