Os balanços do segundo trimestre de 2026 mostraram que as grandes varejistas adotaram estratégias diferentes para enfrentar a concorrência no comércio eletrônico. Enquanto Magazine Luiza, Renner e Riachuelo priorizaram preservar margens e geração de caixa, o Mercado Livre acelerou investimentos em logística, frete subsidiado e incentivos comerciais para ampliar a participação de mercado, mesmo com impacto na rentabilidade. Na próxima semana, o mercado acompanhará se a Casas Bahia seguirá uma dessas estratégias ou apresentará um caminho próprio.
O que aconteceu
Balanços revelaram divisão de estratégias no varejo. De um lado, varejistas brasileiras concentraram esforços em melhorar indicadores de rentabilidade. Do outro, o Mercado Livre reforçou investimentos para sustentar o ritmo de expansão das vendas.
Mercado Livre registrou receita recorde de US$ 10,17 bilhões no trimestre. O valor representa um crescimento de 49,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume bruto de mercadorias (GMV) avançou 44% no mesmo período.
Expansão veio acompanhada de redução das margens. A margem operacional caiu de 12,2% para 6,7% após o aumento dos gastos com frete subsidiado, descontos comerciais, expansão da operação logística e crescimento de 53,7% nos investimentos (Capex).
Mercado reagiu negativamente ao balanço. As ações do Mercado Livre recuaram cerca de 5% na Nasdaq após a divulgação dos resultados. Relatórios de bancos como BTG Pactual e Citi indicaram que os investidores aguardam sinais de maior estabilidade na rentabilidade da companhia.
Margem passou a ser prioridade
Magazine Luiza optou por preservar rentabilidade em vez de estimular vendas com descontos. A companhia repassou parte do aumento dos custos de fornecedores, especialmente de eletrônicos, enquanto as vendas nas lojas físicas cresceram 10,3%, compensando a fraqueza do comércio eletrônico.
Renner e Riachuelo seguiram caminho semelhante. A Renner elevou o retorno sobre o capital investido (ROIC) para 15,1%, mesmo reduzindo projeções de receita. Já a Riachuelo registrou margem Ebitda recorde de 17% no segmento de mercadorias.
Especialistas apontam que cenário competitivo favorece esse movimento. Segundo a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), os marketplaces concentram 78% das vendas do comércio eletrônico brasileiro, aumentando a pressão por preços e dificultando a competição baseada apenas em descontos.
Lojas físicas ganharam importância na estratégia das varejistas. Além das vendas presenciais, elas passaram a funcionar como centros de distribuição, pontos de retirada de produtos e canais de relacionamento com os consumidores, reduzindo custos logísticos e aumentando a integração entre os canais físico e digital.
O ponto físico deixou de ser só um local de venda. Hoje, precisa gerar experiência, relacionamento e conveniênciaThiago Carvalho, assessor da FecomercioSP
Crédito fortalece os ecossistemas
Resultados também reforçaram peso das operações financeiras para o setor. O Mercado Livre informou que consumidores que utilizam simultaneamente o marketplace e o Mercado Pago geram maior frequência de compras e ampliam a rentabilidade do ecossistema.
Varejistas brasileiras seguem estratégia semelhante. Operações como Luizacred, MagaluPay e Realize ampliam a oferta de crédito, fortalecem o relacionamento com os clientes e ajudam a sustentar a rentabilidade em um ambiente de maior competição no varejo.
Casas Bahia será o próximo teste
Resultados da Casas Bahia, previstos para a próxima semana, devem indicar qual estratégia a companhia pretende seguir. Em meio ao processo de reestruturação financeira e operacional, investidores acompanharão se a empresa dará prioridade à recuperação das margens, como fizeram outras varejistas brasileiras, ou buscará acelerar o crescimento para disputar participação de mercado com os grandes marketplaces.
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