O governo brasileiro deve segurar a concessão de agrément (autorização) ao embaixador dos Estados Unidos até depois das eleições se não houver gesto de distensão da parte americana.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo, disponível nas principais plataformas. Ouça aqui.
De acordo com relatos feitos ao UOL, o Brasil não pretende escalar a tensão com os EUA, nem tampouco se submeter a o que considera chantagens do governo Trump.
A decisão de Washington nesta semana de rebaixar o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti foi repudiada pela gestão Lula em nota oficial.
Não ficou claro para o governo, no entanto, se o visto da embaixadora será cassado ou se será modificado de modo que ela possa entrar uma única vez nos EUA, o que poderia inviabilizar sua permanente no posto.
A primeira hipótese é mais grave e o Brasil tem poucos instrumentos diplomáticos com os quais responder. Isso porque os EUA não têm um embaixador em Brasília que pudesse sofrer medidas idênticas.
O pedido de agrément ao diplomata Daniel Perez foi feito pelo governo Trump em junho.
Perez é deputado do Partido Republicano pela Flórida, de onde vem também o secretário de Estado americano, Marco Rubio, principal interlocutor do bolsonarismo nos EUA.
Os EUA anunciaram o nome de Perez e deram início à tramitação de sua aprovação no Congresso americano, antes do agrément do Brasil.
O atropelo no rito processual desrespeitou os parâmetros estabelecidos pela Convenção de Viena, tratado que rege a diplomacia mundial, e irritou o governo Lula.
Desde junho, Trump impôs novas tarifas ao Brasil, classificou PCC e Comando Vermelho como terroristas e deu declarações desabonadoras sobre o presidente Lula.
Nesse ambiente, o agrément ficou parado. O Brasil, por sua vez, negou visto para enviados do governo Trump, cuja visita ao Brasil era vista como preparatória de relatórios que deslegitimariam o processo eleitoral nacional.
O rebaixamento do visto da embaixadora brasileira, contudo, foi visto como uma retaliação —e não deve acelerar a concessão do agrément a seu par americano, muito pelo contrário.
Rubio é o principal responsável direto da política externa de Trump nas Américas. Sua proximidade com forças de extrema direita de diversos países da região tem favorecido discursos críticos a Lula.
O caso do presidente argentino Javier Milei, que insultou o presidente brasileiro reiteradas vezes, é um exemplo eloquente da influência dos EUA nos países vizinhos.
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