Publicidade
Espaço para Google AdSense (Top Leaderboard)
UOL há 86 d • Qui, 06 Ago 2026 23:00:00 -0300

Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes

O cenário não está bom para pegar ou pagar um empréstimo. E ele não deve melhorar tão cedo. Essa é a avaliação de economistas, analistas e dos próprios bancos privados para o restante de 2026, em meio a juros mais altos do que o esperado e a um elevado comprometimento da renda das famílias brasileiras.

"Eu acho que o ciclo do crédito vai ser desafiador", disse Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco, maior banco do país, durante teleconferência com analistas nesta quarta-feira (5). "Vivemos hoje um excesso de crédito dado pelo mercado." O executivo disse que, neste momento, prefere abrir mão de crescimento e participação de mercado a correr o risco de lidar com a inadimplência depois.

O Bradesco também prometeu cautela. "Não estamos fazendo loucura. Estamos reduzindo o crédito pessoal e fazendo colateralizado", disse o presidente Marcelo Noronha a jornalistas, nesta quinta (6).

A cautela dos executivos se reflete nas reservas para perdas com calotes que os três maiores bancos privados do país —Itaú Unibanco, Bradesco e Santander— fizeram no segundo trimestre, conforme mostraram nos balanços divulgados nas duas últimas semanas.

Somados, os três bancos provisionaram R$ 28,7 bilhões, uma alta de 12,4% em comparação com o mesmo período de 2025. O colchão de segurança inflou mais do que os empréstimos. A carteira de crédito subiu apenas 9,4% no período, indo a R$ 3,37 trilhões.

"É um momento difícil para o setor bancário. A inflação está corroendo a renda das famílias e o juro alto está reduzindo a capacidade de financiamento das empresas", diz Daniel Utsch, gestor da Nero Capital.

Em maio deste ano, a inadimplência geral do sistema financeiro atingiu o pico da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. Naquele mês, 4,74% de todo o crédito concedido estava em atraso há mais de 90 dias. Em junho, após o início do Desenrola 2.0, esse indicador teve ligeira queda para 4,68%, ainda bem acima da média histórica de 3,29%.

Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV IBRE, o percentual reflete não só a Selic a 14%, mas a precificação de juros futuros ainda altos, dada a percepção de risco fiscal no Brasil —quanto mais medo de calote, mais se cobra para emprestar dinheiro— o que encarece o custo do dinheiro como um todo.

"Outro ponto de atenção é a inflação dos alimentos, que compromete mais de 23% do orçamento das famílias que ganham até um salário mínimo", afirma Ataliba.

Neste ano, o comprometimento de renda dos lares também chegou ao maior valor da série do BC. O endividamento das famílias com os bancos em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses foi a 49,93% em janeiro, mês em que os brasileiros costumam se enrolar com as contas de início de ano. O percentual é o pico da série iniciada em 2005 e se mantinha bem próximo disso até maio, último dado disponível.

Apesar de o desemprego estar na mínima, a perspectiva para os próximos meses não é de melhora, já que o mercado espera uma desaceleração da atividade econômica como fruto de juros altos.

"A transmissão da Selic na ponta é muito lenta. Olhando esses sinais, a tendência é que a inadimplência piore ou, no mínimo, se estabilize no segundo semestre", diz Ataliba.

Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o fim da guerra no Oriente Médio e um El Niño menos intenso poderiam abrir espaço para mais reduções da Selic, o que beneficiaria o mercado de crédito. "Mas, para discutirmos juros estruturalmente mais baixos e uma aceleração sustentável do ciclo de cortes, é inevitável falar sobre o fiscal."

Os bancos dizem ver um ajuste fiscal no próximo mandato presidencial, independentemente do candidato eleito.

"Quando você tem juros mais elevados, somados a uma inadimplência e a um comprometimento da renda bastante elevados, o risco para os bancos aumenta. Isso gera um maior custo do crédito e uma postura mais cuidadosa por parte dessas empresas", diz Yihao Lin.

Por enquanto, a postura de maior cautela das instituições financeiras se manifesta na restrição de crédito para consumidores de baixa renda e na preferência por empréstimos com garantia.

A oferta é focada no crédito consignado CLT, no financiamento imobiliário e de veículos com colateral e linhas com garantia do governo via FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) e o FGO (Fundo Garantidor de Operações) para pequenas e médias empresas.

Ainda assim, os três principais bancos privados do país aumentaram as suas proteções contra calotes no segundo trimestre. Itaú Unibanco e Bradesco afirmaram que a provisão contra devedores duvidosos (PDD) acompanhou o crescimento da carteira de crédito como um todo.

Já o Santander citou o cenário macroeconômico. O braço brasileiro da instituição da Espanha teve o pior balanço no segundo trimestre entre os pares, avaliam analistas, com o lucro abaixo do esperado dado o maior gasto com PDD.

Inadimplência derruba lucro do Santander Brasil, e ações caem mais de 7%

Bradesco tem alta no lucro com expansão do crédito e de seguros

Lucro do Itaú sobe para R$ 12,4 bilhões no 2º tri

Segundo a XP, a carteira de crédito do Santander segue praticamente estagnada e o banco ainda atravessa uma fase de ajuste do portfólio e de reconhecimento de riscos. "Avaliamos que a normalização do custo do crédito ainda deve levar alguns trimestres", dizem os analistas da corretora.

Até o Itaú, que tem o menor índice de inadimplência entre os pares (apenas 1,9% há seis trimestres), teve deterioração. O BTG classificou os resultados do segundo trimestre de 2026 como mais fracos do que o habitual, mas destacou a solidez dos ativos da carteira de crédito. "O nível de provisões parece bastante conservador, e o capital principal continua se fortalecendo."

O banco também revisou para baixo a sua projeção de 2026 para a receita com serviços e seguros, uma linha mais sensível à atividade econômica. Agora, a instituição projeta um crescimento entre 2% e 5%, ante 5% a 9% esperados anteriormente.

Segundo o Itaú, o ajuste está relacionado, principalmente, à maior volatilidade no mercado do que a projetada no início do ano. Além disso, há uma menor receita com tarifas de cartões, enquanto os custos deste produto para a média e alta renda seguem em alta para o banco.

O Bradesco, por sua vez, ainda enfrenta uma maior inadimplência. Mesmo elevando o percentual de créditos com garantia de 58,5% para 61% de toda a carteira, os empréstimos ao varejo ainda preocupam, diz o Citi.

Segundo os analistas, o custo de crédito dos clientes do Bradesco subiu para 5,9%, ante 5,5% no início do ano.

"Daqui para frente, a principal discussão será se o ritmo de crescimento das receitas e os ganhos de eficiência conseguirão continuar superando os custos de crédito mais elevados, à medida que o ciclo de crédito brasileiro se torna mais desafiador", diz o Citi.

Apesar do cenário, os executivos do Bradesco reafirmaram suas previsões de resultado para o ano. O banco espera uma expansão de 8,5% a 10,5% para a carteira de crédito. Considerando o crescimento de 11,6% da carteira no primeiro semestre deste ano, os executivos esperam uma desaceleração gradual nas concessões.

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Recurso exclusivo para assinantes

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Publicidade Recomendada
Espaço para Google AdSense (In-Article Responsive)
Fonte da Notícia: UOL
0 leituras Voltar ao Feed
Publicidade
Espaço para Google AdSense (Article Bottom)

Leia a Seguir

Matérias selecionadas sobre o mesmo assunto para continuar sua leitura
SOROCABA - SP
CARREGANDO...
--°C
TEMPERATURA
Sensação --°C
Umidade --%
Vento --
PREVISÃO — 5 DIAS
Toque para detalhes
Carregando previsão...
DETALHES --
Mínima--
Máxima--
Chuva--
Volume--
Nascer--
Pôr Sol--
Índice UV--
Vento Máx.--
Previsão por Hora
Fonte: Open-Meteo ECMWF / NOAA

Rodízio de Veículos SP

Centro Expandido • CET-SP
Liberado no Momento
Segunda-feira • 02/11
1 & 2
Veículos com finais 1 e 2 não circulam nos picos

Próximo horário de restrição: hoje das 07h às 10h.

SEG 1/2
TER 3/4
QUA 5/6
QUI 7/8
SEX 9/0
07h-10h & 17h-20h Multa R$ 130,16

Trânsito & Rodovias

São Paulo & Principais Vias
Tempo Real
Marginal Tietê
Livre
Ayrton Senna ↔ Castello Pistas livres em ambos os sentidos
Marginal Pinheiros
Livre
Interlagos ↔ Castello Pistas expressa e local livres
Rod. Castello Branco (SP-280)
Livre
São Paulo ↔ Barueri ↔ Sorocaba Pista expressa e marginal com tráfego livre
Rod. Raposo Tavares (SP-270)
Normal
São Paulo ↔ Cotia ↔ Sorocaba Trecho de serra e pista dupla com boas condições
Rodoanel Mário Covas (SP-021)
Livre
Trecho Oeste e Sul Tráfego livre sem retenções nos acessos às rodovias
Rod. dos Bandeirantes (SP-348)
Livre
São Paulo ↔ Campinas / Interior Excelente fluidez em ambas as pistas e pedágios normais
Atualizado às 01:01

Widgets para o seu Site

Notícias e Clima em tempo real

Incorpore notícias de mais de 20 portais e previsão do tempo em seu blog ou portal com 1 linha de código.

Criar Widget Grátis
Publicidade
Google AdSense Sidebar 300x250
A Seguir • Agência Brasil
CMN amplia em R$ 2 bi limite de crédito a estados e municípios