Apesar de ter aberto em leve queda, o dólar se recuperou e passou a se valorizar até fechar o dia em alta, cotado no comercial para a venda a R$ 5,087. Já a Bolsa ficou estável em razão das expectativas sobre o novo patamar da taxa básica de juros no Brasil e os desdobramentos da guerra no Irã.
O que você precisa saber
Dólar volta a subir. A cotação comercial da moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,087, alta de 0,34% no primeiro pregão de agosto.
Moeda dos EUA fechou julho em queda de 1,81%. A variação negativa representou a primeira queda mensal da divisa norte-americana ante o real desde abril, quando recuou 4,38%. Desde então, o dólar se aproximou de R$ 5,20 no fim de junho. Apesar das oscilações, a moeda ainda acumula perda de 7,64% neste ano.
Ibovespa fica estável. O principal índice acionário do Brasil marcou 178.000 pontos, sem variação percentual em relação à sessão de sexta-feira (31). Em julho, o indicador registrou a primeira alta mensal após quatro meses de variações negativas.
Ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) lideram perdas. Os papéis da empresa tombavam 6,82% no final da tarde, refletindo a previsão de prejuízo de até R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre, acima da perda de R$ 861,9 milhões registrada no mesmo período do ano passado.
Expectativas
Mercado prevê inflação menor ao final deste ano. Os analistas consultados pelo BC (Banco Central) reduziram, pela quinta semana consecutiva, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026, de 5,12% para 5,03%. Apesar das quedas, as projeções permanecem acima do limite da meta, definido em 4,5% pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
Estimativas apontam para corte maior da taxa Selic. Alinhado com a expectativa de inflação menor, o mercado reduziu de 14% ao ano para 13,75% ao ano a projeção para a taxa básica de juros no final deste ano. Para o fim de 2027, 2028 e 2029, as previsões permanecem em 12% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.
Quando a expectativa de inflação cai e a expectativa de juros acompanha esse movimento, o custo do dinheiro começa a mudar antes mesmo da decisão do Banco Central.Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
BC define novo nível dos juros na próxima quarta-feira (5). As expectativas indicam que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduzirá a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, nesta semana. Se confirmada, será a quarta queda consecutiva de igual magnitude da taxa básica de juros, que, por oito meses, permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
Trégua no conflito do Oriente Médio acalma os mercados. Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu um ataque militar previsto contra o Irã. A decisão atendeu a um pedido do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que manifestou preocupações com os efeitos dos bombardeios contra poços de petróleo na região do Golfo Pérsico.
Preços do petróleo recuam mais de 4% nesta sessão. O barril do Brent, referência internacional para o combustível, terminou o dia comercializado por US$ 83,77, queda de 4,73% em relação ao último fechamento. Já o petróleo WTI (referência nos EUA) para setembro fechou em baixa de 5,11%, a US$ 80,34 o barril.
O câmbio deve permanecer sensível ao tom do Copom, aos dados americanos e ao resultado das negociações no Oriente Médio. Um acordo pode sustentar o apetite por risco, mas uma nova escalada tende a elevar o petróleo, fortalecer o dólar e retirar força da Bolsa.Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas
Ouro também cai com desdobramento da guerra no Irã. A cotação do metal na Bolsa de Nova York recuou 0,40%, a US$ 4.075,9 por onça-troy (cerca de 31,103 gramas) em contratos com entrega prevista para dezembro. A prata para setembro, por sua vez, subiu 0,12%, a US$ 57,856 por onça-troy.
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