Uma disputa pelo número de urna 1313 provocou um racha entre lideranças do PT no Rio de Janeiro para as próximas eleições federais.
O que aconteceu
Vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá decidiu transferir o cobiçado número de urna 1313 para seu filho. Diego é presidente estadual do partido e concorre a deputado federal pela primeira vez na eleição deste ano.
Os deputados Lindbergh Farias e Marcelo Freixo protestaram de forma veemente contra a decisão de Quaquá. Eles boicotaram a convenção estadual do último sábado (1º) e enviaram uma queixa oficial para a Executiva Nacional do PT.
Freixo e Lindbergh, que também serão candidatos a deputado federal, criticaram o loteamento de números. "O PT não pode ser conduzido como uma capitania hereditária no Rio de Janeiro", disse Freixo em vídeo publicado nas redes. "Não é questão de número, é questão de democracia interne, é questão da boa condução da campanha do Lula no estado do Rio", afirmou Lindbergh no vídeo.
O número 1313 é altamente disputado por ser fácil de memorizar nas urnas eletrônicas. A distribuição das dezenas mais atraentes é feita pelas executivas estaduais com foco nos candidatos considerados puxadores de voto.
Pela regra oficial do PT, quem utilizou o número na eleição anterior tem prioridade para repeti-lo. Quaquá usou o 1313 em 2022, mas os opositores alegam que a prioridade não deveria passar para o filho dele.
Histórico de votos e regras internas
Nas eleições de 2022, Quaquá obteve 113.282 votos para deputado federal usando o número em disputa. Ele ficou atrás de Lindbergh, que teve 152.219 votos com o 1300, e de Benedita da Silva, com 113.831 votos com o 1377.
Marcelo Freixo disputou o governo do Rio de Janeiro pelo PSOL em 2022. Quatro anos antes, ainda em sua antiga legenda, ele havia sido eleito deputado federal com expressivos 342.491 votos.
Declarações inflamadas e troca de acusações
Quaquá rebateu os críticos em vídeo publicado nas redes sociais. "Quando Freixo apoiava o [ex-juiz federal Marcelo] Bretas, a Lava Jato e o [ex-juiz federal Sergio] Moro conta Lula, dizia que o [movimento] Lula Livre não era prioridade da esquerda, e quando o Lindbergh quis abandonar o PT para ficar com Heloisa Helena e fundar o PSOL (...) eu estava lá, junto com o presidente Lula, organizando caravanas em Curitiba para denunciar aquela prisão e aquela condenação ilegal, irregular, injusta (...)."
"Eu sou pato velho, tem muito pato novo aí que fica falando que não posso estar no PT", afirmou Quaquá. O prefeito argumentou que o número pertence ao seu grupo político de Maricá, principal base petista no estado,
A disputa pelo número 1313 é a segunda crise de Quaquá no PT do Rio este ano. Em março, ele rompeu com Benedita da Silva por criticar a escolha de seu suplente, Manoel Severino, mas recuou em julho.
As assessorias de Lindbergh e Freixo informaram que agora aguardam um posicionamento oficial da Executiva Nacional. A direção nacional do partido não se pronunciou sobre o caso até o momento.
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