A Guerra do Paraguai é um tema sensível e tratado com silêncio entre os governos de Brasil e Paraguai, analisou o ex-embaixador em Assunção, Paraguai, Eduardo dos Santos no UOL News, do Canal UOL.
A avaliação veio após o governo paraguaio convocar o embaixador do Brasil em Assunção para pedir esclarecimentos sobre uma declaração do presidente Lula (PT) a respeito do conflito do século 19, ocorrido ainda na época do Império.
A Guerra do Paraguai é uma história de silêncio. É um tema do qual, em nível de governo, não se fala, praticamente não se toca. Eu fui embaixador no Paraguai durante quatro anos e estive em pouquíssimos momentos de lidar com esse tema. O que mostra é que é um assunto que os dois países, os governos que são responsáveis pela condução dos assuntos, de política interna, querem deixar pra trás.Eduardo dos Santos
O diplomata não viu intenção em Lula de "ressuscitar uma polêmica" entre os dois países. Para o diplomata, o discurso do presidente era voltado ao fortalecimento da Defesa e ao reaparelhamento das Forças Armadas, sem foco na relação bilateral com o país vizinho.
O propósito dele era mostrar que o Brasil tem que cuidar da sua defesa, tem que se cuidar do reaparelhamento das Forças Armadas. Essa era a mensagem dele, estava se dirigindo às autoridades militares do Brasil. Não estava pensando no contexto da relação Brasil-Paraguai.Eduardo dos Santos
Para o ex-embaixador, a saída diplomática para o caso passa por reduzir a temperatura e evitar que o episódio ganhe tração política. Ele disse que uma conversa informal deve ser suficiente e descartou a necessidade de pedido de desculpas formal.
Sobretudo discrição e moderação no diálogo com o país vizinho. Discrição no sentido de não fazer do tema uma questão conflitiva, mas manter uma atitude de 'low profile' para que o assunto não adquira proporções maiores.Eduardo dos Santos
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