Relatório enviado ao STF cita bebidas na faixa de R$ 2.500 a R$ 5.300; senador e empresário também viajaram juntos com suas famílias
Relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal indica que o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu presentes e vinhos do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Leia a íntegra (PDF – 33 MB).
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do inquérito sobre o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, retirou o sigilo do documento na 5ª feira (30.jul.2026). A PF classifica o material reunido como preliminar e indiciário. Leia a íntegra da decisão (PDF – 19 MB).
O relatório também cita o envio de presentes a Wagner em dezembro de 2024, entre eles vinhos avaliados entre R$ 2.500 e R$ 5.300. Segundo a PF, as embalagens das bebidas continham bilhetes. Um deles dizia: “Para: Jaques” e “De: Guga”, apelido de Augusto Lima. O outro trazia a inscrição “Para: Tio Guiga”. Os investigadores afirmam que o presente seria destinado a Guilherme Sodré, enteado de Wagner, que, segundo o relatório, atuava como operador e pessoa de confiança do senador.
O relatório menciona que, a partir de 2023, o vínculo entre as famílias de Wagner e Lima ganhou uma conotação de “proximidade e amizade”.
Em outubro de 2023, por exemplo, Wagner informou ao empresário que ele e a mulher aceitariam um convite para um encontro. Dois dias depois, Lima encaminhou ao senador o prefixo de uma aeronave e o horário do deslocamento.
A PF inferiu, a partir de mensagens e fotografias extraídas do celular de Lima, que o destino era a Ilha da Paixão, imóvel que, embora não estivesse formalmente em nome do ex-sócio do Master, estaria sob sua posse e controle.
O QUE DIZ O SENADOR
O senador Jaques Wagner (PT-BA) disse nesta 6ª feira (31.jul.2026) ter “certeza de que vai provar sua inocência” nas investigações que ligam seu nome ao Banco Master. Em entrevista à Rádio Baiana FM, afirmou que está “tranquilo” e focado nas eleições de outubro.
“O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição. Temos 2 meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção, com a presença do Lula”, declarou o senador.
Wagner disse que esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “4, 5 dias depois” da operação de busca e apreensão em endereços ligados a ele. Afirmou que deixou a liderança do governo no Senado para “não contaminar, para não perturbar”.
“Ele esteve aqui na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa, e amanhã vai estar comigo aqui [na Bahia]“, afirmou.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do inquérito sobre o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, tornou público na 5ª feira (30.jul.2026) um relatório da Polícia Federal que cita a ligação de Wagner com ex-sócios da instituição, como Augusto Lima e Daniel Vorcaro.
COMPLIANCE ZERO
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. O magistrado autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.