Analistas receberam de forma positiva os dados de balanço da Vale referentes ao segundo trimestre, divulgado ontem à noite. Entre os destaques positivos, profissionais de casas como Citi, Itaú BBA e BTG, destacaram a eficiência operacional, a geração de caixa e a distribuição de lucros como pontos fortes.
O que aconteceu
Lucro da Vale caiu 26% no 2º trimestre, para US$ 1,6 bilhão. A receita líquida somou US$ 10,5 bilhões no trimestre, 19% superior ao mesmo período do ano passado (US$ 8,8 bilhões).
Mas geração de caixa aumentou. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) proforma (sem os efeitos de Brumadinho e itens não recorrentes) somou US$ 4,1 bilhões no trimestre, alta de 19% na comparação anual. A margem Ebitda Proforma ficou em 39%, estável frente ao mesmo trimestre de 2025.
Vale teve sessão de relativa estabilidade na Bolsa. As ações da mineradora subiram 0,25% na sexta-feira, a R$ 76,28.
Companhia associou o resultado à alta produção de minério de ferro e cobre no período. "Entregamos resultados sólidos na comparação anual em todos os negócios, com o minério de ferro atingindo sua maior produção para um segundo trimestre desde 2018 e o cobre seu melhor segundo trimestre em nove anos", disse Gustavo Pimenta, presidente da Vale, no balanço.
Itaú BBA destacou no balanço o Ebitda ajustado da mineradora. Em relatório, os analistas Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito obseravaram que o esultado ficou cerca de 5% acima das projeções do banco e do consenso de mercado. No texto, contudo, alertaram que a performance de custos continuou fraca, embora dentro do esperado.
Itaú BBA mantém recomendação para a mineradora. A instituição manteve recomendação outperform para as ações da mineradora, equivalente a compra, e preço-alvo de US$ 19 para o ADR e R$ 95 para a ação negociada na B3.
Os resultados da Vale superaram as expectativas no segundo trimestre, com melhora operacional nas divisões de minério de ferro e metais básicos e forte geração de caixa. Embora os custos tenham permanecido pressionados, a revisão das projeções ficou em linha com nossas estimativas e não altera a visão positiva para a companhia. Analistas do Itaú BBA
Para BTG Pactual, destaque também foi Ebitda 6% acima das estimativas do banco. Em relatório, os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo apontam que, mesmo enfrentando um trimestre desafiador do ponto de vista de custos, a mineradora teve desempenho superior graças, principalmente, aos preços realizados mais fortes para minério de ferro fino, pelotas e cobre.
Remuneração aos acionistas é outro destaque no relatório do BTG. Os analistas afirmam que a capacidade da Vale de gerar caixa e devolver recursos aos investidores tem sido um vetor positivo para a companhia.
Apesar do ambiente mais desafiador para custos, a Vale voltou a demonstrar resiliência operacional, entregando resultados acima do esperado e mantendo intacta sua capacidade de gerar caixa e remunerar os acionistas. Na nossa visão, a tese de investimento segue inalterada. Analistas do BTG Pactual
Conselho da Vale aprovou US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio. O valor será distribuído em setembro. A empresa também lançou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, com prazo de até 18 meses, após recomprar US$ 140 milhões em ações no trimestre.
Citi ressalta aumento de estimativas para produção. Os analistas do banco destacam que a companhia elevou as estimativas de produção de cobre e níquel, além de ter reduzido os custos dessas operações. Segundo os analistas Alexander Hacking, Gabriel Barra e Pedro Ferreira de Mello, o resultado foi beneficiado por custos menores do que o esperado na operação de minério de ferro, compensando a elevação das projeções de custos para o restante do ano. O banco tem recomendação de compra para o ADR da mineradora, com preço-alvo de US$ 18 (ante US$ 14,99 no fechamento de ontem).
No balanço, esperamos que a Vale tenha desempenho ligeiramente superior ao mercado, apoiada pela surpresa positiva nos resultados e pelas revisões de guidance, em grande parte já esperadas. Analistas do Citi
BB Investimentos mantém visão positiva para Vale, mas aponta pontos de atenção. Segundo a analista Mary Silva, a perspectiva de evolução operacional da Vale deverá ser reforçada pelo início da operação do Serra Sul, pela manutenção de preços de commodities metálicas em patamar ainda elevado, e pela sólida geração de caixa da companhia.
Acreditamos que tais fatores tendem a continuar mitigando parte dos impactos das tensões geopolíticas sobre custos e demanda. No entanto, seguimos acompanhando o ambiente de incerteza, que permanece elevada e deve continuar sustentando níveis mais altos de volatilidade para o papel. Mary Silva, analista do BB Investimentos
Analista aponta que aumento no custo de produção da Vale já era esperado pelos analistas. Ainda assim, a economista da InvestSmartXP aponta que o número veio um pouco abaixo do que era considerado, o que gerou a surpresa positiva no resultado final.
Importante destacar que o setor de mineração no Brasil vem enfrentando um cenário desafiador para a commodity no principal mercado de destino, que é a China, onde aumento no nível de estoques nos portos e uma atividade industrial mais fracas nos últimos meses têm se refletido em preços do minério de ferro volátil. Mônica Araújo, economista chefe da InvestSmart XP
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.