Filho do presidente Lula é suspeito de tráfico de influência e corrupção em articulações com o lobista “Careca do INSS”
Aliados e opositores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repercutiram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça de autorizar, na 5ª feira (30.jul.2026), que a Polícia Federal investigue Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Lulinha é investigado por suspeita de tráfico de influência e corrupção em articulações com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Os investigadores buscam apurar se Lulinha exerceu influência indevida no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência da República para favorecer a liberação e a comercialização de canabidiol medicinal em programas do governo.
A reação entre governistas foi discreta, com poucas manifestações sobre a investigação até a manhã desta 6ª feira (31.jul.2026). O perfil do PT Brasil compartilhou um trecho de entrevista de Lula ao podcast Inteligência Ltda., em que o presidente afirma que, se o filho “for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa”.
O perfil oficial do partido declarou que o presidente “responde tudo o que é perguntado sobre o filho Lulinha e deixa claro que nunca interveio para proteger a família de investigações”.
O deputado federal Bohn Gass (PT-RS) declarou ser a favor das investigações, para que se comprovem ou não os indícios. Ele comparou com o caso de Flávio Bolsonaro (PL), que falou, em áudio, dinheiro ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em dinheiro para financiar o filme “Dark Horse” sobre o pai, Jair Bolsonaro (PL).
“Há suspeita? Investigue-se. Não importa quem. Lulinha abriu seu sigilo e não teve dinheiro de fraude. Mas, e Flávio Bolsonaro, quando abrirá as contas? Mais: Lula diz: “Se tiver culpa, pague”. Bolsonaro disse: ‘Não vou deixar fuder minha família. Se precisar, troco o ministro.’”, escreveu o congressista em seu perfil no X (ex-Twitter).
A reação foi maior na oposição. Candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, comparou indiretamente o caso de Lulinha com o de Flávio Bolsonaro. “É uma monarquia disfarçada de república, onde o rei protege o príncipe. Estou falando de Lula e Lulinha, mas pode ser interpretado como outro pai que protege outro filho. Já passou da hora de acabar com essa farsa!”, declarou.
Romeu Zema (Novo) declarou que “Filho de Lula, Lulinha é…”. “Se tem corrupção, esquece! É com o PT!”, escreveu o também candidato à Presidência.
Rogério Marinho (PL-RN) – senador da República e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro;
Carlos Viana (PSD-MG) – senador da República;
Sérgio Moro (PL-PR) – senador da República;
Alfredo Gaspar (PL-AL) – deputado federal;
CASO LULINHA
A PF considera que Lulinha atuou no ramo do mercado de cannabis em parceria com a empresária Roberta Luchsinger. A suspeita é de que eles tenham trabalhado em favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS.
Segundo a PF, foram identificados pagamentos do lobista para a RL Consultoria, empresa de Roberta Luchsinger. A investigação tentará esclarecer se houve repasses a agentes públicos com uma atuação irregular do filho do presidente. O pedido da PF também inclui a autorização para compartilhar provas obtidas na operação Sem Desconto, que apura desvios no INSS e tem o Careca do INSS como um dos alvos.
O pedido de inquérito menciona ainda contatos entre os investigados e servidores públicos, inclusive do gabinete do presidente Lula. Ao Poder360, as defesas de Lulinha, Roberta Luchsinger e do Careca do INSS negaram conhecimento sobre o pedido da PF.