Apagões: calor extremo aumenta a demanda por energia e pressiona a infraestrutura elétrica.
Publicado em 31 de julho de 2026 às 11h00.
Apagões e interrupções no fornecimento de energia elétrica estão em debate após quedas de luz registradas nesta quarta-feira (29) em bairros do Rio de Janeiro. Situações como essa costumam gerar a mesma dúvida entre consumidores: por que episódios desse tipo ainda acontecem?
E não, a resposta não está em teorias alarmistas como um colapso generalizado, segundo as quais esses eventos indicariam uma crise do setor como um todo. Na maioria dos casos, a explicação está no funcionamento de um sistema que precisa operar em equilíbrio constante entre geração e consumo, e nas limitações que se tornam mais visíveis em momentos de estresse extremo, como ondas de calor.
No ano de 2025, o planeta ultrapassou o limite considerado seguro pelo Acordo de Paris. Segundo o Programa de Observação da Terra da União Europeia Copernicus, as temperaturas mundiais excederam em 1,5°C os níveis pré-industriais. E o que isso tem a ver com os apagões? Em dias muito quentes, o consumo de energia cresce de forma acelerada e intensa. Com o aumento do uso de equipamentos de refrigeração, especialmente o ar-condicionado, a demanda cresce, o que pode pressionar redes de distribuição que não estão adequadamente preparadas para lidar com picos tão elevados e simultâneos.
ONS (Demanda); Adaptado de INMET (Ondas de Calor)
Nesses casos, o problema não está necessariamente na geração de energia, mas aparece na ponta do sistema, onde a energia chega aos consumidores. É por isso que em casos mais comuns os apagões são localizados, afetando bairros ou regiões específicas, e raramente em grandes áreas do país.
O calor extremo também afeta diretamente o desempenho de equipamentos, por reduzir a eficiência de transformadores e cabos, ao mesmo tempo em que eleva o consumo. O resultado é um cenário em que a rede precisa entregar mais energia justamente quando suas condições operacionais são menos favoráveis.
A situação pode ser mais frequente em cidades densas, como o Rio de Janeiro, em que o crescimento da demanda ocorre de forma acelerada e nem sempre acompanha o ritmo de reforços na infraestrutura, que exigem planejamento, licenciamento e tempo de execução.
A explicação também passa pelo funcionamento básico do sistema, que precisa operar equilibradamente. Isto porque a energia elétrica não pode ser estocada em grande escala de forma simples, então a todo momento o volume de eletricidade gerada precisa ser igual ao volume consumido.
Entender por que apagões acontecem passa, portanto, por reconhecer que o fornecimento de energia depende de uma cadeia extensa, da geração à distribuição, e que falhas podem surgir quando múltiplos fatores se combinam. Em um cenário de eventos extremos mais frequentes, esse debate tende a se tornar cada vez mais constante.
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