Gianni Infantino é uma tragédia política.
Há dez anos, desliza como se tivesse escamas para se adaptar aos mais diversos tipos de terreno.
Não anda para a frente. Procrastina e disfarça.
Assim, criou uma nova subsede da Fifa em Miami, tirou o centro das decisões de Zurique, caminho inverso ao feito por Jules Rimet, que se mudou da França para a Suíça para evitar a proximidade da Segunda Guerra Mundial.
Pode-se discutir a Fifa no neutralidade fiscal dos suíços, mas é inegável que Rimet foi hábil. Infantino, oportunista.
Aproximou-se dos Estados Unidos, porque foi a CIA e o FBI que investigaram, afastaram e prenderam os dirigentes do futebol mundial. Aproximar-se dos norte-americanos era evitar o risco.
O maior, a ruptura com a Uefa, porque os olhos grandes e gulosos tentam vender a maior joia, que espalhou o futebol pelo mundo como esporte mais popular e apaixonante do planeta. Vender a Copa do Mundo é o gol contra mais estúpido que poderia marcar. Pegou mal demais.
A Copa em três países já era um risco gigantesco, com 48 países mais ainda, mas incrivelmente Infantino sobreviveu a isso, porque o futebol é mágico e produziu a maior média de gols desde 1970, bom nível técnico, craques como Messi e Mbappé jogando em alto nível.
Então, tratou de negociar com o Marrocos a final da Copa do Mundo em Casablanca. No futebol, não há casa blanca como o Santiago Bernabéu, que deve ser o palco da finalíssima de 2030.
O que escancara isso é a crise da imigração, com 50 mil pessoas tentando atravessar a nado do Marrocos para a Espanha, numa evidente demonstração do fracasso da humanidade, como escreveu Leonardo Sakamoto.
Infantino perdeu a noção da realidade. O mundo trata de tentar trazê-lo de volta. De preferência, longe do centro de poder.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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