Fenômenos com ventos fortes atingiram áreas do litoral e do interior do país
Fenômenos meteorológicos intensos causaram mortes, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia e no transporte entre a terça-feira (28) e a quarta-feira (29) no Sul e no Sudeste. As ocorrências resultaram da passagem de uma frente fria que atingiu uma massa de ar quente e úmida no Centro-Sul do país.
O avanço desse sistema instável provocou tempestades severas, quedas bruscas de temperatura e rajadas de vento acima dos 124 km/h em diversas cidades. Parte dos estragos ocorreu no litoral do Paraná, do Rio de Janeiro e de São Paulo, áreas sob aviso de perigo para ventos costeiros emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Esses ventos atingem faixas próximas ao litoral de forma contínua, podendo impactar municípios vizinhos simultaneamente. Na cidade paulista de Santos, a ventania derrubou árvores e estruturas, interrompeu a travessia de balsas e levou à suspensão temporária da navegação no Porto de Santos. Um homem morreu no município após ser atingido por uma árvore.
A passagem do ar frio elevou a nebulosidade e derrubou as temperaturas no estado de São Paulo. Na capital paulista, os termômetros despencaram de 29°C para cerca de 20°C em poucas horas, enquanto rajadas foram registradas nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos.
No Rio Grande do Sul, a mesma frente fria provocou um tornado na terça-feira (28), afetando os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. O evento deixou quatro pessoas feridas, além de causar destelhamentos e quedas de postes e árvores no Noroeste gaúcho.
O fenômeno gaúcho teve origem na formação de uma supercélula, tempestade dotada de uma corrente de ar ascendente e giratória chamada mesociclone. A rotação no interior da nuvem se intensificou até que um funil tocou o solo, configurando o tornado.
Apesar de frequentes no Sul do país no encontro de massas de ar quentes e frias, a meteorologia alerta que não é possível prever o local exato onde um tornado vai tocar o solo. O fenômeno difere do ciclone por sua dimensão reduzida, atuando em faixas estreitas por poucos minutos, embora concentre grande força destrutiva.
Já os ciclones são sistemas mais amplos de baixa pressão atmosférica que sobem o ar quente e úmido para formar nuvens de chuva. Os extratropicais surgem fora da zona tropical pelo contraste de massas quentes e frias, sendo comuns no Atlântico Sul durante a passagem de frentes frias.
Quando formados sobre oceanos tropicais com águas acima de 27ºC, esses sistemas passam a ser chamados de furacões ou tufões. Até o momento, a América do Sul registrou apenas um furacão, o Catarina, que causou 11 mortes e ventos de 200 km/h em Santa Catarina em 2004.
Especialistas apontam que o aquecimento global permite maior acúmulo de energia e umidade na atmosfera, o que pode intensificar tempestades e ondas de calor. O aumento de registros de tornados no Brasil, contudo, também está associado ao avanço de radares meteorológicos e câmeras de celulares.
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