'Epic Games': jogo faz parte da promoção natalina da plataforma (SOPA Images/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 30 de julho de 2026 às 14h49.
Última atualização em 31 de julho de 2026 às 11h54.
A Epic Games Store, loja de aplicativos da desenvolvedora do Fortnite, chegou aos iPhones brasileiros nesta quinta-feira, 30. É a primeira vez que os usuários de iPhone no Brasil podem baixar jogos como Fortnite e Rocket League fora da App Store, a loja oficial da Apple — um marco na abertura do sistema da empresa, até aqui um dos mais fechados da tecnologia. Mas a estreia veio acompanhada de críticas ácidas da própria Epic, que acusa a rival de dificultar a instalação de propósito.
O movimento é o capítulo mais recente de uma guerra judicial que já dura seis anos e custou mais de US$ 1 bilhão à Epic, entre gastos com advogados e receita perdida. Começou em 2020, quando a desenvolvedora tentou driblar a comissão de 30% que a Apple cobra sobre transações dentro dos aplicativos, e teve o Fortnite banido da App Store como resposta. Desde então, a Epic passou a pressionar reguladores e tribunais no mundo todo para forçar a abertura do iPhone à concorrência.
A vitória, porém, chegou pela metade. Segundo Tim Sweeney, CEO da Epic, a Apple impôs uma série de barreiras técnicas que tornam a instalação da loja mais trabalhosa do que deveria: no Brasil, são nove passos para colocar a Epic Games Store no iPhone, três a mais do que na União Europeia, onde a legislação é mais rígida. O processo envolve autorizar manualmente a instalação de "apps de fontes externas" nos ajustes do aparelho, uma etapa que não existe ao baixar da App Store.
A crítica mais dura é sobre dinheiro. Mesmo com a abertura, a Apple segue cobrando comissões sobre transações feitas fora da sua loja, o que Sweeney chama de "taxas lixo" (junk fees), por não oferecerem, na visão dele, nenhuma contrapartida.
A Epic diz apostar que a transparência vai virar o jogo: "uma vez que a Apple seja obrigada a mostrar seus custos, os governos do mundo todo não vão permitir que essas taxas abusivas continuem", afirmou a empresa. É o mesmo argumento que a companhia usa em processos na Europa, nos Estados Unidos e em outros mercados.
Uma limitação importante: a Epic Games Store chegou ao iPhone, mas não ao iPad no Brasil. Por ora, a principal atração da estreia brasileira é o Epic Rewards, o programa de recompensas que devolve parte do valor gasto em compras.
O desembarque no Brasil se soma à reabertura global do Fortnite, que voltou à App Store em maio de 2026 após a Epic vencer uma etapa decisiva da disputa nos Estados Unidos. Para o usuário brasileiro, o resultado prático é concreto: pela primeira vez, há uma alternativa à loja da Apple no iPhone, ainda que, como faz questão de lembrar a Epic, o caminho até ela seja mais tortuoso do que deveria.
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