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Negócios Exame (Negócios e Economia) há 94 d • 27/07/2026 15:20

A rede que começou com um mercado autônomo em um condomínio cearense já movimenta R$ 300 milhões

Leonardo de Ana, cofundador da InHouse: "Somos uma licenciadora de tecnologia e marca" (Divulgação)

Publicado em 27 de julho de 2026 às 15h20.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 16h01.

Após conhecerem um mercado autônomo em um condomínio no Rio Grande do Sul, Leonardo de Ana e Yan França viram no modelo uma oportunidade de negócio.

O formato chamou atenção pela praticidade e ganhou ainda mais sentido durante o isolamento social, quando moradores buscavam alternativas para fazer compras sem sair do condomínio.

Em maio de 2020, os dois fundaram a InHouse, em Fortaleza, com capital próprio e a meta de abrir três lojas até o fim do ano.

"Nós percebemos que o mercado era muito maior do que conseguiríamos atender apenas com capital próprio. Quem pegar primeiro esses pontos vai ter vantagem", afirma Leonardo de Ana, cofundador da InHouse.

A partir de 2021, a empresa abandonou a expansão baseada em lojas próprias e adotou um modelo de licenciamento. Hoje, a InHouse tem cerca de 1.900 lojas inauguradas em 342 cidades, presentes em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

O foco agora é expandir a operação em condomínios de cidades do interior e acelerar a presença em novos ambientes, como academias, indústrias, hospitais e empresas. Após crescer 110% em 2025, a InHouse projeta avançar mais 50% em 2026 e alcançar R$ 300 milhões em GMV anualizado, o valor total transacionado pela plataforma.

Depois de iniciar a operação com lojas próprias, a InHouse percebeu que o modelo exigia muito capital para sustentar uma expansão acelerada.

A empresa chegou a 120 unidades próprias em 2021, mas decidiu mudar a estratégia e abandonar a abertura de novas lojas com capital próprio.

A mudança aconteceu em um momento de maior restrição no mercado de capital de risco. Segundo Leonardo, após a pandemia, os investidores passaram a olhar mais para empresas com controle de gastos e menos para negócios que buscavam crescimento acelerado a qualquer custo.

Ao mesmo tempo, a empresa enxergava uma corrida para ocupar um mercado que ainda estava nascendo no Brasil. "Quem pegar primeiro esses pontos vai ter vantagem. Se você faz um bom serviço, ninguém vai te trocar", afirma Leonardo.

Em vez de operar como uma franqueadora tradicional, a InHouse passou a licenciar sua tecnologia e sua marca para empreendedores. O modelo permite que o operador local tenha autonomia para gerir o negócio, enquanto usa os sistemas da empresa para controlar a operação.

A escolha pelo licenciamento está ligada ao perfil tecnológico da empresa. Diferentemente de uma franquia tradicional, em que a franqueadora costuma fornecer produtos e uma cadeia de fornecedores, a InHouse atua como uma plataforma de operação para mercados autônomos.

"O grande diferencial do nosso segmento é a tecnologia. São poucas empresas que têm isso realizado internamente", afirma.

Na visão do executivo, o modelo também reduz as barreiras para quem quer abrir uma unidade. "Como não tem aquele contrato amarrado de uma franquia tradicional, com taxas mais elevadas, o nosso segmento chega até quatro vezes mais barato no investimento inicial da pessoa", diz.

Embora opere no varejo, a empresa se define como uma desenvolvedora de software para mercados autônomos. Após iniciar a operação utilizando sistemas de terceiros, a InHouse decidiu criar uma plataforma própria para gerenciar toda a operação.

Cerca de R$ 1,1 milhão foram investidos no desenvolvimento da tecnologia. O sistema reúne aplicativo, painel de gestão, autoatendimento e ferramentas de monitoramento que acompanham toda a jornada do consumidor.

As câmeras são integradas ao software, que identifica padrões de comportamento, classifica situações de risco e direciona a equipe de monitoramento apenas para ocorrências consideradas relevantes. A plataforma também controla estoque, validade dos produtos, promoções e desempenho das unidades.

Com a expansão por licenciados, a InHouse passou a investir em uma estrutura de treinamento para manter o padrão de operação em uma rede que já está espalhada por centenas de cidades. A estratégia é reduzir a distância entre a empresa e os operadores locais por meio de conteúdos, encontros presenciais e acompanhamento de desempenho. "Temos InHouse Academy, que é como se fosse um YouTube de treinamento”, afirma Leonardo.

A empresa também criou encontros regionais para aproximar os licenciados e compartilhar práticas de operação. Os eventos reúnem empreendedores em diferentes fases do negócio, desde quem está abrindo a primeira loja até operadores com mais unidades.

"Com a rede de licenciados, a rede evoluiu. Eles foram descobrindo novos pontos, novas oportunidades, e a gente começou a analisar mais”, diz. A partir deles, por exemplo, nasceu de forma orgânica unidades fora de condomínios.

Depois de consolidar a presença em condomínios, a InHouse passou a mudar a forma de escolher onde abrir novas unidades. Em vez de priorizar estados específicos, a empresa passou a concentrar a expansão em cidades com mais de 200 mil habitantes e em locais privados com maior potencial de consumo, como academias, hospitais, empresas, fábricas e espaços de coworking.

Segundo o executivo, a empresa também passou a operar com modelos menores de mercado autônomo. Com menos equipamentos e estoque inicial, essas unidades exigem investimento inferior ao das lojas tradicionais e permitem atender condomínios com menos apartamentos, ampliando o número de empreendimentos aptos a receber a operação.

Além dos condomínios, a empresa viu crescer de forma orgânica a presença em outros ambientes privados. Hoje, esses segmentos representam cerca de 10% da rede, mas a expectativa é que cheguem a 30% até 2030. Também em quatro anos, a InHouse espera chegar em R$ 500 milhões transacionados. Até o final do ano, a rede espera ter pelo menos 2 mil unidades ativas.

Em alguns casos, a operação é mais atrativa do que nos condomínios. "Academias custam metade para montar. Em algumas fábricas, o faturamento chega a ser três vezes maior do que em condomínios grandes", afirma Leonardo.

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