O presidente da Argentina, Javier Milei, ao lado do pré-candidato Flávio Bolsonaro durante evento do PL, em São Paulo; declarações do argentino motivaram reação do governo brasileiro. (Nelson Almeida/AFP)
Publicado em 27 de julho de 2026 às 15h24.
Após direcionar ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, neste sábado, 25, o presidente da Argentina, Javier Milei, não irá se desculpar pelas afirmações. De acordo com a mídia argentina, o episódio é a maior crise diplomática entre Brasil e Argentina dos últimos 50 anos.
A avaliação foi publicada em artigo do jornal La Nación. Para o veículo, o governo de Javier Milei já deixou claro que não haverá pedido de desculpas, nem por parte do presidente argentino nem do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi.
As declarações de Milei ocorreram durante o evento de lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo. Em um discurso de cerca de meia hora, o presidente argentino chamou Moraes de "lixo careca" ao criticar a decisão do ministro de negar autorização para que ele visitasse Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Após a repercussão, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino no Brasil para transmitir a "repulsa" do governo brasileiro às declarações. O Itamaraty também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas sobre a relação bilateral.
Além das críticas a Alexandre de Moraes, Milei atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as políticas sociais do governo brasileiro. Em seu discurso, afirmou que governos de esquerda provocam desequilíbrios econômicos para conquistar apoio eleitoral e associou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao avanço de um movimento conservador na América Latina.
Após a passagem pelo Brasil, o presidente argentino seguirá agenda internacional com viagens ao Peru, para a posse de Keiko Fujimori, ao Equador, onde se reunirá com o presidente Daniel Noboa, e à Colômbia, para acompanhar a posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella.
A reação brasileira repercutiu amplamente na Argentina. Segundo o La Nación, diplomatas, ex-integrantes do serviço exterior e especialistas dos dois países avaliam que a crise aberta pelas declarações de Milei não tem precedentes na história recente da relação bilateral.
A publicação afirma que, apesar da gravidade do episódio, o governo argentino descartou qualquer retratação.
Ao mesmo tempo, fontes brasileiras ouvidas pelo jornal indicaram que, embora Brasília tenha reagido com firmeza, medidas diplomáticas mais extremas ainda não estão sendo consideradas.
O jornal Clarín também classificou o episódio como um "conflito diplomático" e informou que o governo brasileiro analisa outras formas de resposta às declarações do presidente argentino.
Segundo fontes da diplomacia brasileira citadas pelo diário, os comentários de Milei foram interpretados como uma ofensa aos Poderes Executivo e Judiciário e ao povo brasileiro. De acordo com essas fontes, "nem mesmo durante os períodos de rivalidade entre os governos militares houve algo remotamente parecido" nas relações entre os dois países.
Ainda segundo o La Nación, a postura de Milei representa mais um episódio de "danos autoinfligidos" ao próprio governo argentino, justamente em relação ao principal parceiro comercial da Argentina.
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