O Corinthians chega à decisão do Campeonato Brasileiro Sub-17 com uma mão na taça e uma campanha que superou as expectativas do próprio clube. Hoe, às 21h30 (de Brasília), o time enfrenta o Cruzeiro, em Belo Horizonte, podendo perder por até dois gols de diferença para conquistar o título — a vantagem foi construída no último sábado (31), quando o Timão venceu o primeiro jogo da final por 3 a 0. Em caso de empate no placar agregado, a disputa vai para os pênaltis.
Meta era se classificar
O cenário é bem diferente daquele projetado no início da temporada, quando a expectativa interna era mais modesta: conseguir uma vaga entre os oito melhores do campeonato.
Em entrevista exclusiva ao UOL, concedida em 1º de outubro, Erasmo Damiani, diretor executivo das categorias de base do Corinthians, explicou que o departamento não trabalhava inicialmente com a possibilidade de chegar à decisão.
Se você chegasse em fevereiro, eu diria: 'Nosso objetivo é classificar entre os oito'. Porque, classificando entre os oito, teríamos mais jogos e mais uma oportunidade de aparecer. Terminamos em segundo, então foi muito acima do que esperávamos.Erasmo Damiani, ao UOL
A cautela tinha motivos: a geração que hoje representa o Corinthians no Sub-17 enfrentou um período de aproximadamente um ano e meio sem disputar competições oficiais de maior nível. O afastamento ocorreu diante de um problema entre o clube e o Palmeiras, que levou o Timão a deixar o Movimento de Clubes Formadores (MCF).
Damiani chegou a comparar o impacto desse período ao provocado pela pandemia de covid-19. Para o dirigente, a diferença é que a paralisação de 2020 atingiu todos os clubes, enquanto a interrupção posterior prejudicou especificamente a formação dos jogadores corintianos.
A base do Corinthians sofreu uma segunda pandemia. A diferença é que a primeira foi para todo mundo e essa segunda foi só para o Corinthians Damiani, ao UOL
Diante desse cenário, o Corinthians também precisou mudar a maneira de trabalhar nas categorias de base. Uma das medidas foi reduzir o número de jogadores por elenco para permitir um acompanhamento mais próximo e dar mais atenção ao desenvolvimento individual.
O planejamento passou a estabelecer um limite de atletas por categoria. Assim, a chegada de um novo jogador depende da abertura de uma vaga. As decisões são discutidas em reuniões que envolvem diferentes áreas do departamento, como coordenações técnica e de captação, comissões técnicas, psicologia e nutrição.
Quando você tem menos atletas, consegue dar uma atenção especial e específica. O treinador tem mais tempo para desenvolver, corrigir e colocar para jogar aqueles em quem acredita.Damiani, ao UOL
O movimento já aparece na rotina do clube. Jogadores do Sub-14 passaram a treinar ou atuar pelo Sub-15, enquanto atletas do Sub-17 foram aproveitados pelo Sub-20 e chamados para atividades com o elenco profissional.
Caramico lidera equipe
Dentro de campo, Lucca Caramico é um dos principais símbolos da campanha que colocou o Corinthians perto do título.
Aos 16 anos, o meia marcou 17 gols no Brasileiro Sub-17 e está a apenas um de Thaylon, do Cruzeiro, artilheiro da competição.
O jogador teve participação decisiva na abertura da final. Caramico marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 sobre os mineiros e também participou da jogada que terminou no gol de Lucas Splichal.
A campanha da equipe agora está a 90 minutos de terminar com uma conquista nacional. O desempenho também representa uma resposta dentro de campo ao período de dificuldades enfrentado pela formação dos jogadores.
A vantagem, porém, não mudou o discurso interno. Pessoas ligadas às categorias de base ouvidas pelo UOL afirmam que resultados recentes do futebol Sub-17 são utilizados como alerta para manter os jogadores concentrados na partida de volta.
O exemplo mais recente é a final de 2025. Na ocasião, o Grêmio venceu o Atlético-MG por 4 a 1 em Porto Alegre e abriu uma vantagem de três gols. Mesmo assim, o time mineiro devolveu o placar na partida de volta, em Minas Gerais, e conquistou o título nos pênaltis.
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