Milhares de imigrantes entraram hoje na cidade espanhola de Ceuta a partir de Marrocos, no norte da África, em meio a uma pressão crescente na fronteira. Ao menos 15 pessoas morreram na tentativa de entrar em Ceuta a nado, segundo a agência de notícias EFE.
O que aconteceu
Grupo cruzou a pé o muro de contenção que marca a fronteira e se somou a entradas a nado registradas nos últimos dias. De acordo com a agência EFE, o governo de Ceuta estima que entre 1.500 e 2.000 pessoas chegaram à cidade nos últimos dez dias, o que superou a capacidade local de acolhimento.
Ao menos 15 imigrantes acabaram morrendo durante o trajeto. Os corpos foram encontrados pelas autoridades, sendo o primeiro cadáver localizado no início da manhã de hoje por uma embarcação, disseram fontes policiais à EFE. Inicialmente foram achados sete corpos, seguidos de dois e, depois, outros seis. Os cadáveres foram encaminhados para as instalações da Guarda Civil no porto de pesca para passarem por autópsia. As identidades dos mortos não foram divulgadas.
Juan Jesús Vivas Lara, o prefeito da cidade autônoma de Ceuta, classificou o cenário como crítico e pediu mais coordenação do governo central. Ele descreveu a situação como uma "absoluta emergência humanitária e social" e cobrou que o Executivo ative a "emergência nacional" e um "comando único" do Estado para enfrentar a crise.
Ministério do Interior da Espanha disse que não pode decretar a chamada "emergência de interesse nacional" por esse motivo. A pasta afirmou que esse instrumento não se aplica a crises migratórias, mas a riscos naturais e tecnológicos, como enchentes, terremotos e incêndios florestais.
Mesmo sem a declaração formal, o governo afirmou que vai reforçar recursos destinados ao caso. O objetivo, segundo o ministério, é garantir segurança e controle migratório, além da assistência humanitária necessária para "que nenhuma vida humana seja posta em perigo no mar."
Governo espanhol anunciou que enviará soldados para garantir a segurança na região. "As Forças Armadas reforçarão a Guarda Civil no exercício de suas atribuições e em quaisquer outras funções que se façam necessárias para manter a segurança na cidade de Ceuta", afirmou o Ministério do Interior em comunicado.
Ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, tem viagem prevista para amanhã a Ceuta para acompanhar a situação. Segundo fontes do ministério, ele falou nesta manhã com Vivas e deve se reunir na cidade com autoridades locais, a delegação do governo e comandos da Polícia Nacional e da Guarda Civil.
Pressão na fronteira e críticas a Marrocos
Sindicato da Polícia Nacional da Espanha acusou as autoridades marroquinas de não agirem para conter as saídas em direção ao território espanhol. Em comunicado, a entidade falou em "passividade absoluta por parte das autoridades marroquinas" e disse que a situação acaba recaindo sobre a Polícia Nacional.
Em outro trecho do texto, o sindicato afirmou que a repetição do cenário desgasta o trabalho das forças espanholas. "Enquanto a Espanha mobiliza todos os seus recursos para atender esta crise, o Marrocos permanece impassível diante de uma situação que se repete periodicamente e que termina recaindo exclusivamente sobre a Polícia Nacional", afirmou o Jupol.
Também houve uma concentração de milhares de jovens marroquinos na região de Castillejos, do lado marroquino da fronteira. Segundo a EFE, grupos chegaram a pé, de moto e de carro e avançaram em direção ao perímetro, com famílias, mulheres e crianças entre os presentes.
Parte dos jovens tentou cruzar a cerca em um momento em que não havia policiamento no local. "Vamos para a cerca, não pelo mar, para a fronteira. Inshalla (tomara que a gente consiga)", gritou um dos jovens, de acordo com o relato.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.