Dezenas de organizações internacionais de saúde e meio ambiente pediram nesta terça-feira (3, data local) à Organização Mundial da Saúde (OMS) que revise os padrões, em vigor há décadas, sobre a quantidade de nitratos considerada segura na água potável.
Em uma carta aberta, 85 organizações, entre elas o Greenpeace Internacional e a Organização Mundial de Médicos de Família (Wonca), solicitaram à agência de saúde da ONU que inclua os nitratos na próxima revisão de suas diretrizes sobre a qualidade da água.
Os efeitos tóxicos dos nitratos, resíduos associados principalmente à agricultura intensiva, são amplamente reconhecidos como especialmente perigosos para crianças e mulheres grávidas.
No entanto, os limites atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelecem uma concentração máxima de 50 miligramas de nitrato por litro ou 11,3 miligramas por litro de nitrogênio proveniente de nitratos, datam de 1958 e estão "obsoletos", alertaram as organizações.
Esse limite foi estabelecido especificamente para prevenir a chamada "síndrome do bebê azul", uma doença potencialmente fatal que reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio.
Mas a carta afirma que o limite "não foi atualizado apesar das sólidas evidências epidemiológicas" que relacionam a exposição crônica a baixos níveis de nitratos a riscos à saúde a longo prazo, especialmente "o câncer colorretal e resultados adversos na gravidez".
"Estudos agora relacionam a presença de nitratos na água potável, mesmo em níveis muito inferiores ao limite atual da OMS, ao câncer de intestino e a partos prematuros", afirmou em um comunicado conjunto o presidente da Wonca, Pratyush Kumar.
A carta foi divulgada em coincidência com o Dia de "Uma Só Saúde", uma iniciativa promovida pela OMS para destacar a interconexão entre a saúde humana, animal, vegetal e dos ecossistemas.
Os signatários alertaram que centenas de milhões de pessoas em todo o mundo estão expostas a níveis elevados de nitratos.
"A água deve dar vida, não colocá-la em perigo", afirmou Amanda Larsson, responsável global pela área de agricultura do Greenpeace.
"Não podemos proteger a saúde humana sem proteger as águas subterrâneas e os rios que nos sustentam", acrescentou.
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