Após mais de sete décadas, um italiano voltou ao topo da Fórmula 1. Aos 20 anos de idade, Kimi Antonelli conquistou o título de 2026 no GP do México e encerrou um jejum que atravessou gerações de pilotos, equipes e torcedores.
O último italiano a levantar o troféu do Mundial havia sido Alberto Ascari, em 1953. Desde então, diversos representantes do país passaram pela categoria, venceram corridas e chegaram perto de grandes conquistas, mas nenhum conseguiu repetir o feito. Agora, o jovem da Mercedes se torna o terceiro italiano campeão mundial.
Os primeiros campeões italianos
A história da Itália na F1 começou com vitória. Em 1950, primeira temporada do campeonato, Giuseppe Farina se tornou o primeiro campeão da história da categoria. Em um Alfa Romeo, o italiano venceu três das sete etapas daquela edição e superou Juan Manuel Fangio na disputa pelo título.
Farina abriu caminho para uma geração que colocaria a Itália entre as grandes potências do automobilismo. O compatriota Alberto Ascari assumiu o protagonismo nos anos seguintes e construiu uma trajetória ainda mais marcante.
Em 1952, Ascari não só conquistou seu primeiro título mundial, mas o fez pela Ferrari, uma das mais tradicionais equipes italianas. Ele venceu seis das sete corridas do campeonato e, no ano seguinte, alcançou o bicampeonato.
Ascari se tornou uma figura central do automobilismo italiano. Além dos dois campeonatos, construiu uma relação importante com a Ferrari e segue sendo um dos maiores nomes do time. Infelizmente, sua carreira foi precocemente interrompida após sua morte em 1955, durante um teste em Monza.
Desde o segundo título de Ascari, em 1953, nenhum outro italiano havia conseguido conquistar o Mundial de Pilotos. Até este domingo.
Um país de tradição, mas sem campeões
O jejum chama ainda mais atenção quando se observa a importância da Itália para a F1. O país não é apenas a casa da Ferrari, mas também tem uma tradição automobilística que atravessa gerações. O GP da Itália, disputado em Monza, é uma das provas mais tradicionais do calendário e faz parte da história da categoria desde sua primeira temporada.
Mas isso não significa que a Itália tenha deixado de produzir bons pilotos. Nomes como Michele Alboreto, Riccardo Patrese, Jarno Trulli e Giancarlo Fisichella tiveram passagens importantes pela F1. Alguns venceram corridas e outros chegaram a disputar posições de destaque no campeonato, mas nenhum conseguiu alcançar o título.
Fisichella, por exemplo, foi o último italiano a vencer uma corrida antes da nova geração, o GP da Malásia de 2006, pela Renault. A vitória de Antonelli na China este ano, segunda etapa de 2026, marcou o retorno de um piloto italiano ao lugar mais alto do pódio e antecipou o que viria a ser uma temporada histórica.
A ascensão de uma nova geração
No entanto, a conquista de Antonelli carrega um forte elemento simbólico que, de certa forma, o distancia de Ascari e talvez até mesmo de alguns torcedores italianos: o título veio com a Mercedes, não com a Ferrari.
Antonelli representa o resultado de uma aposta de longo prazo do time comandado por Toto Wolff. Integrado ao programa de jovens pilotos da equipe, o italiano percorreu rapidamente as categorias de base, inclusive 'pulando etapas' como a F3, até chegar à F1 em 2025, com apenas 18 anos. Na Mercedes, ainda precisou lidar com a responsabilidade de substituir o heptacampeão Lewis Hamilton que, coincidentemente, se juntou à Ferrari.
A relação entre a Itália e a escuderia de Maranello é uma das mais fortes do automobilismo, e a expectativa de ver um compatriota campeão muitas vezes esteve associada a Ferrari. Antonelli, porém, escreveu a própria história por outro caminho e, mesmo defendendo uma equipe alemã, sua vitória representa toda uma nação que voltou a ter um piloto no lugar mais alto do esporte.
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