A CBF não divulgou o áudio do VAR no lance polêmico do meia Maurício, do Palmeiras, em partida contra o Vitória, disputada na última quarta-feira (29), no Barradão, em Salvador (BA).
A entidade publicou as análises das expulsões de Cacá e Luan Cândido, jogadores do time baiano, considerando que a arbitragem agiu corretamente.
No entanto, não divulgou a conversa do árbitro de vídeo no lance reclamado pelos donos da casa — a equipe pediu expulsão de Maurício após cotovelada em Cacá, oito minutos antes do lance que gerou as expulsões no Vitória.
A CBF não costuma divulgar áudios do VAR em lances em que não houve mudança da decisão de campo. No caso do lance envolvendo Maurício, o juiz não foi chamado para revisão no vídeo.
O que aconteceu
O primeiro tempo do jogo em Salvador foi polêmico. Por volta dos 27 minutos, Maurício, do Palmeiras, atingiu Cacá, do Vitória, com uma cotovelada. O juiz deu cartão amarelo e relatou na súmula o motivo. O VAR não recomendou revisão do lance.
Golpear um adversário de maneira temerária na disputa da bola - Por uso indevido dos braços de maneira temerária na disputa de bola. Alex Gomes Stéfano, na súmula
Minutos depois, o zagueiro do Vitória deu entrada dura em Arias e foi expulso. O VAR chamou o juiz, que confirmou o cartão vermelho. O árbitro de vídeo também avisou Alex Stéfano sobre o gesto de Luan Cândido.
O lateral do Vitória fez sinal com as mãos que indicava "roubo" do árbitro ao expulsar Cacá. Cândido foi expulso, e o presidente do Vitória, Fabio Mota, protestou após o fim da partida.
Ele afirmou que Cacá levou cinco pontos no queixo por causa da cotovelada de Maurício. A região sangrou e ele foi atendido em campo.
Ainda bem que o Brasil viu o jogo. O Cacá levou cinco pontos no queixo, não foi por acaso, não foi por ser intencional, que foi o que os jogadores relataram sobre o que o árbitro disse. Isso desequilibrou a partida, o Vitória era melhor. Houve um desequilíbrio após a não expulsão pela agressão.
Passamos isso pelo ano passado contra Flamengo, estamos acostumados. Não quero vitimizar, mas é difícil fazer futebol no Nordeste. Você tem investimento menor, viaja mais e tem de passar por isso. É lamentável. Nós, em protesto, não vamos fazer coletiva com o treinador e nem zona mista. Vamos fazer a representação. Fabio Mota, presidente do Vitória
O que dizem ex-árbitros
O UOL ouviu ex-árbitros sobre as polêmicas da partida. Todos foram unânimes e disseram que houve erro do árbitro no lance de Maurício, enquanto também divergiram sobre a expulsão de Cacá. No caso de Luan Cândido, acreditam que a expulsão foi correta.
Os dois cartões vermelhos foram corretos. No caso do Cacá, a expulsão não foi pela entrada. Como ele atinge o adversário apenas de raspão com a trava, eu aplicaria cartão amarelo. Ele foi expulso por impedir uma oportunidade clara de gol, porque falta impediu o Arias de prosseguir, já que ficaria só ele e o goleiro. A expulsão de Luan Cândido foi perfeita. Ele faz um gesto de roubo, não se justifica. Faltou o cartão vermelho para Maurício, que deixou o braço no adversário e atingiu uma região sensível, colocando em risco a integridade física do jogador.Ana Paula Oliveira
Maurício atinge o atacante do Vitória, fazendo o "gatilho" com o cotovelo. Deveria ter sido expulso, errou o árbitro. A expulsão de Cacá foi totalmente injusta. Não tenho a mínima ideia do que o VAR e o árbitro viram para aplicar cartão vermelho no jogador do Vitória. O Luan Cândido foi corretamente expulso. É inadmissível que um jogador faça o gesto de 'roubo' com as mãos.Renato Marsiglia
O lance do Maurício era para cartão vermelho. A regra não fala em ter que acertar o rosto, peito, queixo, o que for. A regra fala de você ver se tem um gatilho ou não. No lance do Cacá não tenho a menor dúvida de que o cartão é vermelho. Ele vem por cima e atinge o Arias. O Luan Cândido não pode fazer o gesto que a gente considera conduta grave, que o árbitro estaria roubando. Foi muito bem expulso.Alfredo Loebeling
Maurício merecia cartão vermelho. Embora a cotovelada não tenha sido com gatilho em velocidade, o risco de lesão foi claramente assumido. Erro grosseiro do árbitro. No lance do Cacá, o VAR deveria respeitar a decisão de campo, pois o jogador do Vitória tentou jogar a bola com o pé, mas passou do ponto e atingiu o adversário com as pernas lateralmente e com intensidade que ficou entre jogar de maneira temerária e força excessiva. Logo, o VAR não deveria intervir, sobretudo considerando sua atuação no primeiro lance [Maurício], que transpareceu, embora erradamente naquele caso, ter sua ação limitada aos "erros claros, óbvios". A expulsão de Luan Cândido foi correta e protocolar por gesto ofensivo contra a arbitragem. Manoel Serapião
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