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Poucos compositores brasileiros conseguiram construir uma carreira tão respeitada dentro e fora do país quanto Ivan Lins. Aos 81 anos, o cantor, pianista e compositor continua celebrando uma obra que atravessou gerações, conquistou intérpretes internacionais e ajudou a definir a música popular brasileira das últimas cinco décadas. No próximo dia 8 de novembro, ele retorna ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro para uma única apresentação ao lado da Orquestra MPB Jazz, sob a regência do maestro Renato Coelho.
O concerto reúne clássicos como Madalena, Vitoriosa, Lembra de Mim, Vieste, Começar de Novo, Dinorah, Dinorah e Novo Tempo, agora apresentados com arranjos orquestrais que prometem valorizar a sofisticação harmônica de um repertório que sempre transitou com naturalidade entre a MPB e o jazz. A apresentação anterior da parceria teve ingressos esgotados, o que motivou o reencontro no Municipal.
A trajetória de Ivan Lins começou a ganhar projeção nacional em 1970, quando conquistou o segundo lugar no Festival Internacional da Canção com O Amor é o Meu País, parceria com Ronaldo Monteiro de Souza. No mesmo ano, Elis Regina gravou Madalena, transformando a canção em um dos primeiros grandes sucessos do compositor. A partir daí, especialmente com a parceria com o letrista Vítor Martins, Ivan construiu um repertório que combina melodias sofisticadas, romantismo e reflexões sobre a realidade brasileira.
Durante os anos da ditadura militar, suas músicas também se tornaram símbolos de esperança e resistência, como Novo Tempo e Desesperar Jamais. Ao mesmo tempo, canções como Começar de Novo, eternizada na voz de Simone como tema de abertura da série Malu Mulher, e Lembra de Mim conquistaram um lugar permanente na memória afetiva do público brasileiro.
Mas Ivan Lins também é um daqueles raros compositores nacionais que se tornaram referência para grandes nomes da música internacional. Suas canções foram gravadas por Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Barbra Streisand, George Benson, Sting, Diana Krall e Michel Legrand, além de terem conquistado a admiração e a amizade de Quincy Jones. Em 2005, com o álbum Cantando Histórias, Ivan tornou-se o primeiro artista de língua portuguesa a vencer o Grammy Latino de Álbum do Ano, consolidando um reconhecimento internacional que já vinha desde a década de 1980.
O reencontro com a Orquestra MPB Jazz também tem um significado especial. Ivan foi o primeiro artista convidado do projeto criado por Renato Coelho, em maio de 2023. Desde então, a formação cresceu e passou a receber nomes como João Bosco, Elba Ramalho, Ed Motta e Diogo Nogueira, sempre com a proposta de aproximar a linguagem orquestral da música popular brasileira.
Para o maestro, a apresentação será uma oportunidade de revisitar uma parceria que ajudou a inaugurar a história da orquestra. E, considerando o repertório, não será difícil encontrar na plateia quem tenha uma lembrança pessoal associada a pelo menos uma das canções. Afinal, Ivan Lins pertence àquela geração de compositores que conseguiram algo cada vez mais raro: transformar músicas em parte da história afetiva de várias gerações.
O espetáculo integra a série Joias da MPB e terá aproximadamente duas horas de duração.
Ivan Lins & Orquestra MPB Jazz
Data: 8 de novembro de 2026, domingo, às 18h.
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro — Praça Floriano, s/nº, Centro.
Abertura das portas: 17h.
Ingressos: de R$ 180 a R$ 400 (inteira), conforme o setor, com meia-entrada disponível.
Vendas: Plataforma Fever e bilheteria do Theatro Municipal.
Duração: aproximadamente 2 horas.
Importante: não será permitida a entrada após o início do concerto. O teatro exige traje passeio ou esporte fino.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL