Parlamentar já tinha sido preso em junho deste ano suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa no sistema de transporte público na capital; além dele, outras quatro pessoas foram detidas em operação desta quarta (28)
O vereador Senival Moura, da Câmara Municipal de São Paulo, foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28) em sua casa, em São Paulo. O parlamentar havia sido preso em junho deste ano suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte público na capital.
Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), além de Senival, outras quatro pessoas também foram alvo de mandado de prisão preventiva na operação deflagrada nesta quarta, todas investigadas por organização criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de Transunião Transportes. Outras dois alvos dos mandados de prisão ainda não foram localizados e são procurados.
A ação foi realizada pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPSP (Ministério Público de São Paulo).
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam R$ 158,9 mil em espécie, US$ 2.417 e € 1.465, além de 10 veículos de marcas de luxo, como Porsche Macan, BMW e RAM Rampage, cerca de 40 relógios de luxo e joias. Outros 21 imóveis foram retidos, 408 veículos foram restringidos e seis embarcações bloqueadas. Valores em instituições financeiras também foram bloqueados por meio do Sisbajud (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário).
As prisões ocorrem após a denúncia oferecida, em outubro, pelo MPSP, que incluíram Senival e outras 20 pessoas no mesmo caso.
Em agosto, Senival publicou um vídeo nas redes sociais onde aparecia na tribuna do plenário da Câmara Municipal afirmando que havia deixado a prisão e que era inocente. Senival era filiado ao PT, mas pediu afastamento após ser preso.
Em nota, a defesa do vereador contestou a decisão e disse que a medida "não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade".
"Senival Moura nega categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa ou participação em esquema de lavagem de dinheiro e, desde o início das investigações, reafirma sua inocência e sua confiança na Justiça." (Veja nota completa ao final do texto)
Operação que prendeu o vereador
A Operação Última Parada, deflagrada em 25 de junho pelo MPSP e pela Polícia Civil, revelou detalhes de um esquema de lavagem de dinheiro supostamente operado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio da empresa de ônibus Transunião.
Entre os alvos da investigação estavam além de Senival, Jair Ramos de Freitas e Devanil de Souza Nascimento, ambos réus pelo assassinato do ex-presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge.
Segundo as apurações, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões em recursos públicos apenas em 2025 para operar linhas de ônibus na capital paulista. As investigações tiveram início em 2020, logo após o assassinato de Adauto Soares.
A partir da investigação do crime, as autoridades reuniram provas que demonstram o uso da empresa de ônibus como um instrumento estruturado para a lavagem de capitais do PCC.
"A defesa do vereador Senival Pereira de Moura manifesta sua discordância quanto à decisão judicial que decretou sua prisão preventiva em 20 de outubro de 2026, por entender que a medida extrema não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade.
A decisão, na avaliação da defesa, apoia-se essencialmente em elementos investigativos que já integram a denúncia oferecida pelo Ministério Público, sem demonstrar adequadamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que evidenciem a necessidade atual da prisão.
É fundamental distinguir a existência de uma acusação criminal dos requisitos legais indispensáveis à decretação de uma prisão preventiva. O recebimento de uma denúncia não implica, por si só, a necessidade de encarceramento do acusado.
A defesa destaca que a decisão atribui ao parlamentar um suposto risco de continuidade das práticas investigadas, mas questiona a ausência de demonstração suficientemente individualizada de atos recentes que comprovem esse perigo.
Senival Moura nega categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa ou participação em esquema de lavagem de dinheiro e, desde o início das investigações, reafirma sua inocência e sua confiança na Justiça.
Cumpre recordar que, em agosto de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia reconhecido a ilegalidade da manutenção de sua prisão temporária, determinando seu relaxamento por extrapolação do prazo legal. Embora se trate de modalidade distinta de prisão cautelar, aquela decisão reafirmou a importância da estrita observância das garantias constitucionais.
A prisão preventiva não pode representar antecipação de pena, tampouco decorrer automaticamente da gravidade das acusações. Sua imposição exige fundamentação concreta, individualizada e compatível com os requisitos previstos na legislação processual penal.
A defesa respeita as instituições e reconhece a legitimidade da investigação criminal. Entretanto, entende que a apuração dos fatos deve ocorrer com pleno respeito à presunção de inocência, ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.
Diante disso, serão adotadas as medidas judiciais cabíveis para questionar a necessidade e a legalidade da custódia, buscando o restabelecimento da liberdade do parlamentar.
Senival Moura permanece firme em sua declaração de inocência e confiante de que a verdade será esclarecida no curso do processo."
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo