Intimado a devolver seus passaportes, Flávio Bolsonaro deu o troco a Alexandre de Moraes. Ao fugir do Brasil, o investigado, na prática, intimou o ministro a reagir. A Constituição inibe a prisão de parlamentares, exceto em flagrante de crime inafiançável. E Flávio conta agora com o escudo de Trump. Na briga entre Moraes e Flávio, o brasileiro logo terá dificuldade para distinguir vilão de mocinho.
Moraes foi rápido na caneta. Assinou a ordem para reter os passaportes de Flávio na noite do domingo eleitoral. As urnas ainda estavam quentes. O ministro parece achar que merece reaver a estrela de xerife. Engano. Merece mesmo é interrogatório.
Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro. Levou pelo menos R$ 61 milhões. A mulher de Moraes assinou contrato de R$ 131 milhões com o Master. Levou R$ 80 milhões. Flávio e Moraes voaram no mesmo jatinho, em ocasiões distintas. O avião tinha estrutura de propriedade compartilhada: uma das cotas estava ligada à Prime You, empresa de Vorcaro, e outra pertencia a Willer Tomaz, amigo e parceiro de Flávio no inquérito sobre lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, Vorcaro perguntou a Moraes no Zap se deveria fugir: "Acha que segunda já devo estar fora?" Foi preso a caminho do jatinho que o levaria a Dubai. Flávio recebeu de Moraes ordem expressa para não deixar o Brasil. Sua fuga reforça as suspeitas. Não há pretexto que a justifique. Mas Moraes é tão digno de investigação quanto o Bolsonaro fujão.
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