Super El Niño: o que o fenômeno climático mais intenso desde 1950 pode significar para o agro (Magnific/Reprodução)
Publicado em 30 de julho de 2026 às 10h50.
O Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos estima probabilidade elevada de o El Niño atingir a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro de 2026. O fenômeno, batizado de Super El Niño, é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, que altera padrões de vento e chuva em escala global.
Segundo modelos climáticos internacionais, a anomalia de temperatura do mar pode superar 3°C, patamar que aproxima o evento de ciclos já registrados desde meados do século passado. A consequência direta é a alteração do regime de chuvas em diferentes regiões do Brasil, com efeitos distintos sobre cada cadeia produtiva do agronegócio.
Historicamente, episódios de El Niño tendem a elevar o volume de chuvas na Região Sul do Brasil e em áreas relevantes da Argentina, condição que favorece culturas como soja e milho. Já as regiões Norte e Nordeste devem registrar precipitações abaixo da média histórica, o que aumenta o risco de estiagem prolongada.
Por estarem em uma faixa de transição climática, Centro-Oeste e Sudeste representam o maior desafio para meteorologistas. A expectativa é de anomalias negativas de chuva nessas regiões, o que pode atrasar o plantio da safra 2026/27 e comprometer a janela ideal de desenvolvimento de grãos, elevando a necessidade de replantio.
Esse cenário de incertezas regionais será um dos temas discutidos no painel "Super El Niño?", parte da programação do Super Agro 2026, em 11 de agosto, em São Paulo.
Um relatório da Allianz Research aponta que, embora o Brasil possa ampliar sua oferta de grãos em meio a perdas na Ásia, safras mais volumosas tendem a pressionar cotações internacionais e reduzir margens dos produtores, o que exige atenção redobrada ao planejamento de armazenagem e comercialização.
Diante desse cenário, especialistas do setor têm reforçado a importância do monitoramento climático contínuo e da contratação de seguro rural como mecanismo de proteção patrimonial.
Levantamento do Observatório do Crédito e do Seguro Rural, vinculado à FGV Agro, mostra que a área segurada no país recuou de 13,45 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões de hectares em 2025, o que evidencia uma lacuna de cobertura frente a eventos climáticos extremos.
O Ministério da Agricultura e Pecuária instituiu grupo de trabalho específico para avaliar os efeitos do Super El Niño sobre a safra 2026/27, sinalizando que o acompanhamento de boletins climáticos regionais e o ajuste de cronogramas de plantio devem estar entre as prioridades de produtores e cooperativas nos próximos meses.
O impacto do fenômeno climático sobre a produção agrícola nacional integra a programação oficial do Super Agro 2026, evento promovido pela EXAME marcado para 11 de agosto, em São Paulo.
Entre os painéis confirmados está uma discussão dedicada especificamente ao tema, com a participação de especialistas em meteorologia, representantes da Embrapa e lideranças do setor produtivo.
O encontro reúne executivos C-level, produtores rurais, poder público, indústria e fornecedores de tecnologia para debate questões que vão da transição energética à rastreabilidade digital no campo, passando pelos desafios climáticos que devem marcar a próxima safra.
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