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São Paulo Pressionado pela inadimplência e pelo aumento nas provisões contra calotes, o Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre deste ano, divulgou o banco nesta quarta-feira (28).
O número representa uma forte queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 4,3% na comparação com o segundo trimestre de 2026. O resultado veio ainda abaixo da média de previsões de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 2,962 bilhões.
"O ambiente macroeconômico segue exigindo disciplina, seletividade e foco na qualidade dos resultados. Nossos números refletem esse contexto, mas também mostram um banco que está realizando ajustes importantes para fortalecer sua capacidade de crescimento sustentável", afirma Gilson Finkelsztain, CEO do Santander Brasil.
Em teleconferência de resultados com analistas, o executivo disse que o banco está concentrando esforços e capital em segmentos de crédito de menor risco, como alta renda e grandes empresas, o que tem custado em termos de spreads, a margem de ganhos obtida pelos bancos, uma vez que são operações com juros mais baixos para os clientes.
"A estratégia de colocar mais esforço e capital nos segmentos de menor risco vem nos custando, mas é vitoriosa no longo prazo", afirmou o ex-presidente da B3, que assumiu o comando do Santander em julho deste ano.
A rentabilidade do Santander mensurada pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) ficou em 11,9%, também abaixo do consenso da Bloomberg, que apontava 12,39%. O indicador despencou 5,6 pontos percentuais em relação aos 17,5% reportados um ano antes.
A PDD (provisão para devedores duvidosos) do banco aumentou 14,4% na base anual, reduzindo os ganhos da instituição financeira. O montante reservado para calotes esperados somou R$ 7,46 bilhões no período, contra R$ 6,52 bilhões um ano antes.
O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,4% no trimestre, alta de 0,6 ponto percentual ante os 2,8% no ano anterior. Os segmentos de agronegócio e PMEs (pequenas e médias empresas) representam as principais preocupações do banco em relação a calotes, de acordo com o CEO Finkelsztain.
"Estamos ajustando nosso portfólio, que se traduz em menores perdas na margem, e percebemos isso nas safras que estamos adicionando no nosso portfólio. Mas agro e PMEs seguem preocupando nos próximos trimestres", afirmou.
A carteira total de crédito do banco atingiu R$ 721,26 bilhões no terceiro trimestre, alta de 4,7% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pelo avanço de 4,3% no segmento de grandes empresas, e houve redução nas carteiras de consignado e crédito pessoal.
O Santander tem adotado uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, evitando produtos mais arriscados, que também podem ser mais rentáveis.
Foi a primeira divulgação de resultados da gestão de Gilson Finkelsztain, que até o fim do primeiro semestre comandava a B3, a Bolsa de Valores brasileira. O executivo substituiu Mario Leão em 1º de julho na missão de recuperar a rentabilidade do banco.
Analistas e o próprio Santander preveem que a melhora nos indicadores deve vir só em 2027, com um ciclo de crédito mais saudável para a instituição.
RAIO-X SANTANDER BRASIL | 3º TRI DE 2026
Lucro líquido: R$ 2,885 bilhões ROAE: 11,9% Funcionários: 45.782 Agências: 827 Clientes: 77,1 milhões Fundação: em atividade no mercado local desde 1982 Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank