O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo mantém a busca pela estabilidade do mercado financeiro e a responsabilidade fiscal sem adotar retaliações após a eleição. A fala foi uma resposta a um questionamento sobre a reação negativa do mercado financeiro à reeleição do presidente Lula (PT).
O que aconteceu
Durigan disse que a equipe econômica apresentará documentos para comprovar o compromisso com a responsabilidade fiscal. O ministro enfatizou que a estabilidade das contas públicas não será buscada por meio de retaliação. Ele disse já ter tratado do assunto diretamente com o presidente Lula, reeleito para comandar o país pelos próximos quatro anos.
O ministro disse ter conversado com representantes de diversos setores para tratar do assunto. O diálogo aberto com empresários e agentes do mercado financeiro foi defendido por Durigan. Ele afirma que a iniciativa tem o objetivo de mostrar o "compromisso do presidente com a responsabilidade e a estabilidade fiscal".
Nós vamos dar todos os instrumentos para que não se tenha incerteza jurídica de que vamos perseguir o centro da meta. [...] O compromisso do governo do presidente é com responsabilidade e estabilidade fiscal. Isso não vai ser buscado com nenhum tipo de retaliação, vai ser buscado com diálogo. Dario Durigan, ministro da Fazenda
O governo já tem propostas prontas para levar ao Congresso Nacional. Durigan afirmou que as medidas para recompor as verbas do Orçamento são alinhadas para serem divulgadas em breve. "Temos reuniões durante o dia e faremos anúncios nas próximas horas e nos próximos dias", disse em entrevista no Ministério da Fazenda.
Durigan disse que a queda do real e o salto da Bolsa refletiram apostas erradas do mercado financeiro. "O mercado estava apostando em uma vitória eleitoral e armou a posição em determinado candidato", disse. O Ibovespa desabou quase 14% e o dólar saltou a R$ 5,40 com uma reação negativa pela reeleição de Lula. "O presidente Lula, em uma vitória histórica, desbancou a expectativa do mercado, que troca agora de posição. É uma questão que a gente acompanha com muita atenção."
Para o ministro, o cenário já é recomposto nas primeiras movimentações desta manhã. Durigan recordou que o governo realizou uma operação conjunta com o Tesouro Nacional e o BC (Banco Central) para a estabilização dos ativos brasileiros. "Acho que é uma questão de posição e não de fundamento econômico, que a gente busca estabilizar", disse. "Estamos vendo o câmbio cedendo um pouco, o que demonstra um momento de racionalidade", reforçou.
Ele disse ainda não ter conversado com Lula sobre nomes para a futura equipe econômica. Durigan afirmou que alertou o presidente sobre a necessidade de apresentar sinalizações "propositivas" ao mercado e ao Congresso e destacou que o presidente vai se debruçar na escolha dos membros que vão integrar o novo governo. Questionado, o disse considerar o governador do Piauí, Rafael Fonteles, "um excelente nome" para assumir a Fazenda a partir de 2027.
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