Carlo Ancelotti voltou ao Brasil depois de uma temporada em sua residência canadense. Afundou a seleção e foi descansar nos lagos do Norte. O italiano não pode ser poupado de críticas. Fez uma Copa do Mundo vergonhosa, não assumiu a bronca logo depois da eliminação e correu para as colinas. É o treinador melhor remunerado do mundo, chegou com pompa para conduzir o Brasil ao hexa, aceitou ser o rosto por trás dessa campanha de marketing delirante e deve ser responsabilizado como o líder da debacle.
Nas entrevistas que tem dado, Ancelotti repete que "o trabalho foi bem feito", que o Brasil jogou bem, que a eliminação não pode ser a única medida de avaliação. Eu concordo que não podemos julgar o trabalho pela derrota para a Noruega; devemos julgar pelo todo. Mas aqui nos separamos: o todo foi um constrangimento sem fim.
Um Brasil recuado, defensivo, covarde, simplório, sem vida. Em todos os jogos foi o que vimos. Ganhar do Japão e do Haiti jogando como jogamos deveria ser motivo de revolta e não de celebração. Ancelotti está sugerindo nas conversas que vem tendo com a imprensa que as alterações contra a Noruega acabaram tirando do Brasil o controle do jogo. Não é verdade. O controle sempre foi da Noruega. As mudanças - ou mais exatamente a entrada de Neymar - de fato pioraram o que já era ruim. Agora ele fala em usar a base, em renovar, em começar de novo. Agora, Carlo?
Essa renovação era para ter começado há um ano. Mas Ancelotti optou por manter a panela quente e aceitar fazer campanhas comerciais e repetir alucinadamente que o hexa, que nunca viria, estava logo ali. Neymar e seus parças seguiram dando as cartas, Ancelotti mostrou que não é tão sério quanto quer parecer e o resultado foi o esperado.
Carlo Ancelotti no comando da seleção é um erro. Deveríamos corrigir essa rota imediatamente, mas não vamos. Ele seguirá recebendo um dinheiro que não se justifica, seguirá impondo sua filosofia defensiva e europeia, seguirá esvaziando a seleção masculina de sua identidade. As palavras, por mais belas que sejam, não têm sentido quando perdem a conexão com a realidade. Dizer que o trabalho foi bem feito é duvidar da nossa inteligência. Perder é ruim. Mas perder e sermos colocados no lugar de idiotas é ainda pior.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.