O técnico Leonardo Jardim vê como "possível" o Flamengo estar na final da Copa Libertadores. O Rubro-Negro questiona a escalação do zagueiro Marcos Rojo, do Estudiantes, no jogo de volta da semifinal.
O que aconteceu
"Eu acredito que é possível, mas esse assunto está com nosso departamento jurídico e não vou me alongar", disse o treinador. Ele foi questionado sobre o tema em entrevista coletiva, ontem, após vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG pelo Brasileirão.
Ontem, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) confirmou que autorizou provisoriamente Marcos Rojo a participar da Libertadores a partir de 22 de outubro. Esta foi a data da segunda partida da semifinal entre Flamengo e Estudiantes, no Maracanã.
A liberação, porém, não elimina o risco de uma eventual punição ao Estudiantes. O o tribunal rejeitou um pedido que protegeria o clube argentino e o atleta de eventuais penalidades decorrentes dessa participação.
Entenda o caso
Estudiantes tentou incluir Rojo na semifinal como substituto de um jogador lesionado. O clube argentino pediu à Conmebol em 9 de outubro a troca na lista de inscritos, apesar de a janela de transferências na Argentina ter fechado em 2 de setembro e de o atleta ter atuado oficialmente pelo Racing até 27 de setembro.
Conmebol consultou a Fifa e negou a alteração antes do jogo de volta. A entidade sul-americana informou que a Fifa reforçou a obrigatoriedade das regras sobre períodos de inscrição também para transferências nacionais e, com isso, recusou o pedido em 14 de outubro e manteve a decisão em 15 de outubro.
Flamengo diz que só entrou no caso após ser citado pelo Estudiantes no CAS. Segundo o clube, o adversário recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e indicou o Flamengo como parte do processo, o que levou o rubro-negro a ser chamado ao caso em 16 de outubro.
CAS liberou Rojo de forma provisória, mas sem blindar o Estudiantes de punições. De acordo com a nota, em 21 de outubro o tribunal autorizou temporariamente a participação do jogador, mas negou o pedido do clube argentino para afastar possíveis consequências esportivas e disciplinares de uma decisão final.
Após o jogo, Flamengo apresentou reclamação à Conmebol e pediu decisão antes da final. O clube afirmou que avisou ao CAS, antes da partida, que faria a reclamação prevista no regulamento caso Rojo fosse escalado e, depois do confronto, protocolou o pedido dentro do prazo com base no artigo 24.1.b do Código Disciplinar da Conmebol.
Leia a nota do Flamengo
O Clube de Regatas do Flamengo esclarece que não deu início a nenhum procedimento relativo à inscrição do atleta Marcos Rojo pelo Club Estudiantes de La Plata na CONMEBOL Libertadores 2026.
Em 9 de outubro, o Estudiantes solicitou à CONMEBOL a inclusão do atleta em sua lista para a semifinal, em substituição a um jogador lesionado. O período de inscrições ("janela de transferências") na Argentina estava encerrado desde 2 de setembro, e o atleta havia disputado partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro.
A CONMEBOL, organizadora da competição, que sempre zelou com rigor pelo cumprimento de seus regulamentos e pela integridade de seus torneios, analisou o pedido e consultou a FIFA. A FIFA esclareceu que suas regras sobre períodos de inscrição são de aplicação obrigatória também nas transferências nacionais e não admitem exceções além das previstas em seu regulamento. Com base nisso, a CONMEBOL recusou a substituição em 14 de outubro e manteve a recusa em 15 de outubro, ou seja, antes do jogo de volta da semifinal. Essas regras são de observância obrigatória por todas as associações e conhecidas e aceitas por todos os clubes ao se inscreverem no torneio. O Flamengo não participou de nenhuma dessas etapas.
Inconformado, o Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e indicou o Flamengo, seu adversário na semifinal, como parte no processo. Foi assim, em 16 de outubro, que o Flamengo foi chamado ao caso. Em 21 de outubro, o CAS autorizou provisoriamente a participação do atleta, mas negou o pedido do Estudiantes para afastar as consequências esportivas e disciplinares que possam decorrer da decisão final. Os riscos dessa escolha ficaram com o clube argentino e o jogador.
Chamado a integrar um processo que não iniciou, o Flamengo agiu apenas para preservar seus direitos. Antes da partida semifinal, informou ao CAS, em manifestação também comunicada ao Estudiantes, que, se o atleta fosse escalado, apresentaria a reclamação prevista no regulamento. O clube argentino, portanto, entrou em campo ciente dessa consequência, além do alerta já feito pelo próprio CAS. Após o jogo, o Flamengo apresentou a reclamação dentro do prazo, nos termos do artigo 24.1.b do Código Disciplinar da CONMEBOL, e pediu que o caso seja decidido antes da final da competição.
Portanto: (i) antes do jogo de volta da semifinal, a CONMEBOL, após consulta à FIFA, negou por duas vezes o pedido do Estudiantes para inscrever o atleta; (ii) foi o Estudiantes quem recorreu ao CAS para obter a liberação do atleta, incluindo o Flamengo como parte no processo; e, (iii) antes do jogo, o CAS negou ao Estudiantes a pretendida garantia de que a escalação do atleta não traria consequências esportivas e disciplinares.
Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países.
O Flamengo reitera seu profundo respeito ao CAS e à CONMEBOL, instituições cuja atuação é essencial para a integridade, a segurança jurídica e o equilíbrio do futebol internacional, bem como ao Estudiantes, clube de reconhecida tradição. Confiante na condução responsável e criteriosa do processo por parte da CONMEBOL, o Flamengo aguardará com serenidade a decisão final e a acolherá com o respeito institucional que sempre pautou sua atuação e que espera de todos os participantes.
Clube de Regatas do Flamengo
Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2026
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