Simone Forti, coreógrafa, dançarina e educadora, morreu aos 91 anos, em Los Angeles, depois de uma longa luta contra a doença de Parkinson. A morte da artista, nesta quarta-feira (29), foi confirmada pela galeria Raffaella Cortese, de Milão, que a representava.
Nascida em Florença em 1935, Forti e sua família fugiram da Itália para os Estados Unidos para escapar da perseguição aos judeus deflagrada pela ditadura de Mussolini. Influenciada por Anna Halprin e Robert Ellis Dunn, ela desenvolveu uma abordagem aberta ao movimento, que se tornaria fundamental para a dança contemporânea.
A principal obra de Forti, "Dance Constructions", do início dos anos 1960, que apresentava objetos de cena simples como cordas e placas de compensado, além de coreografias do cotidiano que não exigiam dançarinos treinados, lançou as bases para as performances conceituais do Judson Dance Theater, um coletivo de vanguarda de Nova York.
As "Dance Constructions" foram apresentadas no Brasil, durante a Bienal de São Paulo de 2012, com a participação de bailarinos locais.
Ao longo de sua carreira, Forti explorou o movimento por meio da improvisação, da linguagem e da observação de animais, em peças como "Sleep Walkers/Zoo Mantras" e "News Animations".
Em 2014, as "Dance Constructions" foram adquiridas pelo MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, um marco no colecionismo de dança. Nove anos mais tarde, Forti foi laureada com o Leão de Ouro da Bienal de Veneza por sua trajetória na dança, uma das principais premiações do mundo da arte.
Forti expandiu as fronteiras entre as artes visuais e a performance com a desconstrução da ideia da dança centrada no virtuosismo técnico. Em suas criações, o corpo interagia com a gravidade e os objetos comuns, transformando o espaço expositivo das galerias e museus em locais de experimentação.
Sua pesquisa estética se deu também na escrita, no desenho e no som. Em projetos emblemáticos como "News Animations", ela articulou improvisação corporal, palavra falada e leitura de notícias de jornal, convertendo acontecimentos políticos e sociais em reflexões conceituais. A preservação de sua memória e acervo será conduzida pelo Simone Forti Art Trust.
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