Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25) e governará o Brasil por mais quatro anos. Com a vitória do petista e a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas, o mercado financeiro passou esta segunda-feira (26) no vermelho, chegando a registrar queda de 16,48% e acionando o circuit breaker — algo que não acontecia desde o início da pandemia de Covid-19 no Brasil, em 2020.
🔎 O circuit breaker é um mecanismo de segurança da Bolsa de Valores brasileira (B3) que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas. O objetivo é conter movimentos de pânico no mercado financeiro e dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões.
Naquela ocasião, o coronavírus avançava rapidamente pelo país, os primeiros óbitos pela doença começavam a ser registrados e estados e municípios começavam a adotar medidas de isolamento social para tentar conter a disseminação do vírus.
Com toda a incerteza que pairava sob a pandemia e a economia global, o mercado financeiro protagonizou uma debandada do Ibovespa, resultando em uma queda vertiginosa.
Apesar dos seis acionamentos registrados em um único mês de 2020, esse período representa apenas uma pequena parcela de todas as vezes em que o circuit breaker foi acionado na Bolsa brasileira.
Três anos antes da pandemia da covid-19, em 18 de maio de 2017, ocorreu o episódio que ficou conhecido como "Joesley Day", em referência ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS.
Na véspera, o jornal O Globo havia revelado a existência de uma gravação feita pelo empresário durante uma conversa com o então presidente Michel Temer (MDB). O conteúdo levantou suspeitas de que Temer teria dado aval à compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso. Temer negou as acusações.
A revelação provocou uma crise política e uma forte reação do mercado financeiro. Na manhã seguinte, o Ibovespa chegou a despencar mais de 10%, acionando o circuit breaker e suspendendo as negociações por 30 minutos. Ao final do pregão, a Bolsa acumulou queda de 8,8%.
Crise imobiliária nos EUA
Em 2008, durante a crise financeira internacional, o mecanismo também foi acionado diversas vezes. Em 22 de outubro, a bolsa fechou com queda de 10,18%. Naquele mês, as negociações foram interrompidas quatro vezes por 30 minutos e uma vez por uma hora.
Os mercados internacionais enfrentavam forte turbulência diante da quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos, da necessidade de socorro bilionário aos bancos e das preocupações com a situação do sistema bancário europeu.
1999: crise cambial e adoção do câmbio flutuante
Em janeiro de 1999, o circuit breaker também foi acionado na Bolsa brasileira, em meio a uma crise cambial. Na época, o Brasil enfrentava uma intensa saída de dólares do país, enquanto investidores temiam que o governo não conseguisse manter a política de controle da cotação da moeda americana.
A turbulência ganhou força após o Banco Central anunciar mudanças na política cambial. Em 14 de janeiro, as negociações na Bolsa foram suspensas por 30 minutos, após uma queda acentuada das ações. Ao final do pregão, o índice acumulou perdas de 9,33%.
Crise financeira Russa
Em 1998, o circuit breaker foi acionado cinco vezes na Bolsa brasileira, em meio à crise financeira que atingiu a Rússia. Naquele ano, o governo russo enfrentava uma grave crise econômica, marcada pela desvalorização de sua moeda e pela dificuldade de pagar suas dívidas, levando investidores a retirar recursos de países considerados mais arriscados, como o Brasil.
Um dos momentos mais críticos ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando as negociações na Bolsa brasileira foram interrompidas por uma hora. Ao final daquele pregão, o índice acumulou queda de 15,82%.
A criação do mecanismo e primeiro acionamento
O circuit breaker foi acionado pela primeira vez no Brasil em 28 de outubro de 1997, em meio à crise financeira asiática, que começou na Tailândia e se espalhou por outros países da região, provocando fortes quedas nas bolsas de valores ao redor do mundo.
Na véspera, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) havia registrado uma queda superior a 14%, pressionada pelo temor dos investidores de que a crise atingisse outras economias. No dia seguinte, o mecanismo foi utilizado pela primeira vez para interromper as negociações e conter o pânico no mercado financeiro. Ainda em 1997, o circuit breaker voltou a ser acionado outras duas vezes.